Já falamos na coluna sobre os “Terribles Twos”. Geralmente, depois de um ano e meio de idade, o bebê começa a assumir sua personalidade e também descobre que é um ser independente da mãe. É quando começam a surgir as famosas birras e ataques de histeria, que podem aparecer do nada e durar uma eternidade. Perto dos três anos tende a diminuir, mas algumas crianças podem estender essa fase difícil até os quatro anos.
Primeiro, você precisa entender que não é pessoal. A criança não faz isso porque não quer obedecer ou porque quer lhe enfrentar. Realmente, o cérebro está em amadurecimento e neurologicamente a criança não é madura o suficiente para controlar os ataques de birra. Vamos ser sinceros – tem adulto que ainda não aprendeu a se controlar.
Já contei que morei em Santos por um período, e algumas vezes fiquei sozinha com os meninos lá enquanto o Miguel vinha para Londrina atender os pacientes dele. Na época, Rafa tinha dois anos e meio e Biel, um ano e dois meses. Rafa começou a passar por esse período, onde esperar não era uma opção, batia o pé, gritava e chorava como se não houvesse amanhã.
Lembro de um dia estar com eles na rua (tinha acabado de busca-los a pé na escola, porque a escola era duas quadras de casa), e ele queria ir no meu colo. Já estava com o Biel no colo, duas mochilas, sem carrinho de bebê – de salto alto porque saí direto do trabalho – e tentei explicar calmamente que não conseguia levar os dois no colo e mais aquele tanto de mochila e bolsa. Não adiantou. Ele, no alto dos seus dois anos e meio, não entendeu, começou a gritar e se jogou no chão. Tive que literalmente arrastá-lo por duas quadras enquanto ele gritava como se tivesse sendo assassinado. Chegando em casa deixei tudo no chão na sala e sentei totalmente exausta, psicológica e fisicamente. Respirei.
Não fui mais sem carrinho e comecei a pesquisar sobre essa fase. O que mais funcionou aqui em casa foi dar opções. No outro dia, devidamente munida de um carrinho de bebê, perguntei: “você prefere ir sentado no carrinho ou no colo? Você quer me ajudar a empurrar seu irmão ou prefere levar a bolsa da mamãe, para me ajudar? Você é meu superajudante especial.”
Na hora do banho: “vamos sair”? Vinha o grito: “NÃO”!!! Então eu falava: “olha! Temos uma toalha de patinho e uma de ursinho. Você prefere qual?”
Parece simples, mas isso organizava o pensamento dele e ele focava em me responder sobre as opções que dei. Entenda que é diferente de simplesmente fazer o que a criança está pedindo e fazendo birra. É tirar o foco para ela fazer o que você precisa que ela faça. Não importa qual toalha ela vai usar, você só precisa que ela saia do banho sem birra e sem uma guerra acontecer.
A criança “decide”, dentro das possibilidades dadas. É usar a inteligência para que sua vida ficar mais simples. E, junto com isso, fui literalmente ficando mais forte e capaz de segurar um em cada braço enquanto carregava várias mochilas. No fim, o que Rafa queria era disputar atenção com o irmão menor, e entendi que, por um período seria assim, porque ele também era um bebê. E assim como veio, a fase passou, e hoje eles são duas crianças tranquilas e fáceis de lidar. Você também vai chegar lá.
Boa sorte!
Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha
Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

