A primeira temporada de Euphoria foi exibida em 2019 e foi um soco no estômago dos hipócritas, expondo temas que geralmente não fazem parte das conversas de mesa de bar ou do sofá dos lares; dependência química, sexualidade, relacionamentos doentios, transgênero, etc.
Esta ousada produção televisiva só foi possível com a parceria inusitada entre HBO e a produtora independente Studio A24. HBO todo mundo conhece, mas talvez você já tenha assistido algum dos filmes premiadíssimos da A24; Sob a Pele – 2013, Um Cadáver para Sobreviver – 2016, Sombras da Vida – 2017, e por aí vai, todos excelentes.
Euphoria é dirigido e roteirizado por Sam Levinson (Malcolm e Marie – 2021), e protagonizada por Zendaya (Homem Aranha, Sem Volta para Casa – 2021) e Hunter Schafer que é modelo transsexual e estreou como atriz no papel de Jules, uma garota trans. A série conta ainda com vários atores em personagens incríveis.
Levinson deixou esta segunda temporada muito mais intensa, agradando e ao mesmo tempo chocando muito mais, com vários momentos à la Tarantino, com sexo, sangue e drogas, mas também profundas reflexões sobre diferentes realidades.
Os dilemas apresentados abordam de modo constrangedor, mas ao mesmo tempo engraçado, a violência física e psicológica, o vício em drogas ou em comida, os relacionamentos difíceis e a solidão, fatos e situações que fazem parte do cotidiano.
E muito além do ioiô vai e volta do relacionamento de Rue e Jules, a trama aprofunda alguns personagens na nova temporada, como o de Nate, interpretado pelo gostosão Jacob Elordi (A Barraca do Beijo 2 – 2020), da gordinha Kat, interpretada por Barbie Ferreira (Unpregnant – 2020) e de Kassie, a desajustada amante de Nate, vivida por Sydney Sweeney (The White Lotus – 2021). Enfim, toda aquela flora e fauna de personalidades fascinantes do denominado “coming of age”, o gênero cinematográfico que discute a passagem da juventude para a idade dos boletos a pagar.
Enfim, considerando diálogos, montagem, fotografia, cenografia, Euphoria é uma masterclass de audiovisual. Mas se você não quer ver em sua tv genitálias desnudadas, homens se beijando, pai de família arrombando a porta do armário, trans em total nudez, ou mesmo aquela sujeirinha, por mínima que seja, que todos nós escondemos sob o tapete, não assista. Mas se você é bem mais do que aquela música muito antiga “Aparências, Nada Mais”, assista, você vai se deliciar. Em exibição no streaming HBO.

Marcelo Minka
Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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