Refilmagens de clássicos do cinema podem gerar obras primas ou desastres monumentais. E tudo indica que Ratched, nova série da Netflix que estreou esta semana, tem tudo pra ser uma obra prima.
Para quem assistiu e gostou de Um Estranho no Ninho (1975), dirigido por Milos Forman e estrelado por Jack Nicholson, a série é um prato cheio e saboroso. A trama se passa antes dos acontecimentos do filme de Forman, focando toda a história na enfermeira sádica Mildred Ratched.
Criada por Ryan Murphy, o garoto de ouro atual do mundo cinematográfico, Ratched é visualmente incrível. Figurinos e cenários da década de 40 impecavelmente apresentados em toda a produção de época, com cores trabalhadas à exaustão.
A série traz também um elenco de peso em seus oito episódios; a atriz preferida de Murphy, Sarah Paulson, no papel principal, Sharon Stone (aquela da cena clássica da cruzada de pernas sem calcinha em Instinto Selvagem – 1992), além de Amanda Plummer, Finn Wittrock, Judy Davis, Alice Englert e muitos outros.
Paulson incorpora a personagem com perfeição, não perdendo nada da enfermeira de Um estranho no Ninho e criando mais camadas de complexidade, Ratched elegante, ameaçadora, manipuladora e sádica.
Seguindo o modelo de outra obra prima de Murphy, American Horror Story: Asylum, a série, além de contar a história da enfermeira, também faz um levantamento sobre o tratamento dos doentes mentais nos Estados Unidos da década de 40, quando depressão era definida como melancolia e homossexualismo como doença neurológica, igual ao Brasil contemporâneo, onde estamos prestes a ver o retorno da lobotomia.
Homenageando a estética dos filmes de Alfred Hitchcock, Ratched é visualmente sofisticado ao contar a história de uma das personagens mais icônicas do cinema. Vale a pena ver, ou rever, Um Estranho no Ninho, ganhador de nove Oscars, inclusive melhor filme, diretor e ator para Jack Nicholson. Em seguida emende os episódios de Ratched. Permaneça em casa.
Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.
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