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Malcolm & Marie: para amar ou odiar

Destacando-se nas estreias da semana, temos o filme Malcolm & Marie no streaming Netflix. Dirigido por Sam Levinson (Euphoria – 2019) e estreado por Zendaya (Euphoria – 2019) e John David Washington (Infiltrado na Klan – 2018), a produção conta com apenas esses dois atores protagonizando um casal e suas crises emocionais.

Além de contar com apenas dois atores, outra peculiaridade do filme é que toda a trama se passa em apenas um ambiente. Assistir por quase duas horas um casal em um ambiente brigando é, por vezes, desconfortável, principalmente para nós, ocidentais, que temos a mente feito um elefante solto em uma loja de louças, correndo pra todos os lados e quebrando tudo. Mas o esforço da concentração para ver o filme vale a pena.

O roteiro, também de Levinson, deixa tudo completo e complexo. Uma história sobre memórias, erros de comunicação e traumas de um relacionamento em uma constante crise emocional. Mais uma vez Levinson faz a estética visual dialogar com o roteiro de forma brilhante, nos fazendo mergulhar na intimidade do casal de forma profunda. E este mergulho é dado nos primeiros minutos, através de um plano sequência que nos faz sentir como se estivéssemos assistindo a uma peça teatral, ali, quase tocando os corpos dos atores, tudo ao vivo.

Outro ponto curioso do filme é que a direção nos consegue segurar na trama como se estivéssemos em uma avenida, ora indo ora vindo. Às vezes nos sentimos muito próximos ao casal, nos identificamos com as brigas, as dores, nos solidarizamos com uma emoção do tipo “quem nunca?” Às vezes nos afastamos da dupla, mas ainda nos sentimos ligados, grudados, voyeur, como se estivéssemos com as orelhas coladas na parede tentando ouvir a briga do vizinho ou olhando pelo buraco da fechadura.

No final fica a sensação de que Malcolm & Marie tenta ser profundo demais e se perde na verborragia, talvez porque não estamos acostumados a ficar trancados em uma única locação com apenas um casal e, outra peculiaridade do filme, vendo tudo em preto e branco. Sem meio termo, uma película para amar ou odiar, mas qualquer que seja o sentimento, vale pela experiência estética, pelo sentir intenso.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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