A empresa solicita que Município libere R$30 milhões para demitir funcionários e, ao mesmo tempo, contrata assessora com alto salário
Telma Elorza
O LONDRINENSE
No meio de uma pandemia, na maior crise da sua história e pedindo empréstimo de R$30 milhões do Executivo para reestruturação da Sercomtel S/A – cujo plano principal é enxugamento de funcionários e terceirização de serviços -, o presidente da empresa Claudio Tedeschi nomeou Amana Coquemalla Thome para o cargo de assessora da presidência, com um salário mensal de R$8.152,01. A nomeação foi publicada no Jornal Oficial nº 4074, de 22 de maio.
Funcionários da Sercomtel procuraram O LONDRINENSE, revoltados com o caso. Segundo eles, é “um absurdo” a contratação de um comissionado agora, sem função definida, neste momento, em que o plano emergencial é demitir e, temporariamente, reduzir carga horária com corte de salários. Segundo um dos funcionários, existe outras maneiras de cortar gastos sem nada disso. “Demitir todos os comissionados e parar de pagar Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para presidentes e diretores da empresa já teria uma grande economia”, disse um deles. Segundo as informações, a indicação seria do deputado federal Ricardo Barros (PP), mesmo partido do prefeito de Londrina, Marcelo Belinati. Amana é esposa do assessor do prefeito, Diego Cunha de Souza, que cuida das suas mídias sociais.
O projeto de lei que autoriza o empréstimo de saneamento para a Sercomtel deveria ter sido votado em primeiro turno na quinta-feira passada (21) e foi defendido por Tedeschi, por videoconferência. Segundo Tedeschi, a situação da empresa está crítica, agravada pela pandemia. Os vereadores, no entanto, retiraram da pauta por uma sessão com a justificativa que de que precisavam de mais dados sobre a saúde financeira da Sercomtel. O projeto deve voltar à pauta na sessão dessa terça-feira (26).
O presidente da Sercomtel disse que não há nenhum anormalidade na contratação. “Eu, como presidente, tenho direito a um assessor. Até dois meses atrás era o João Scaff mas ele precisou sair. Foi só uma substituição”, disse. Segundo Tedeschi, ele precisava de uma pessoa para fazer a ligação da Sercomtel com a Câmara de Vereadores e Prefeitura. “Justamente por causa dos projetos que estão sendo votados, preciso ter alguém lá”, disse. Segundo ele, pesou mais a capacidade de relacionamento da assessora que o currículo. “Preciso ter uma pessoa com fácil relacionamento com vereadores e prefeito”, justificou.
Problemas
A Sercomtel S/A teve um prejuízo de cerca de R$23 milhões em 2019. O Município tentou vender, no início do ano, sua parte das ações na Bolsa de Valores mas não houve interessados. A Copel, que detém 45% das ações ordinárias da empresa, já anunciou que não vai socorrer a empresa com dinheiro. A Sercomtel enfrenta processo de caducidade – que é a extinção dos contratos de concessão por descumprimento de obrigações contratuais na telefonia e internet banda larga – pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Foto: Fernando Cremonez/CML


Respostas de 3
O João precisou sair, mas vai voltar no Conselho. E quando ele saiu, uma funcionária assumiu a Assessoria da Presidência, e recebe FG.
Chega da Prefeitura injetar dinheiro público na Sercomtel.
Chega de cargos comissionados!
No caso de assessor da presidência, será que a Empresa não tem nenhum funcionário de carreira competente para interagir com a Câmara de Vereadores?
Afinal, quando vão sanear a Empresa?
O sr Presidente da empresa deve estar de brincadeira né? Precisar de alguém pra se comunicar com prefeitura e vereadores? Eu nao consigo acreditar numa justificativa dessa. É muita falta de bom senso, no mínimo, em uma hora dessas, com economia indo pro ralo, com empresas fechando portas, com a populaçao perdendo empregos de salário mínimo, com a necessidade de demitir funcionários da própria empresa, se contratar alguém, independente da competência em relacionamentos, numa hora como essa,
Repito, no mínimo é falta de bom senso, o que não deveria faltar a uma pessoa neste cargo.