É de comer com as mãos, sem frescura e sem complicação

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Culinária asiática traz simplicidade e sofisticação em sabores ainda pouco explorados pelo paladar londrinense

Juliana Nunes

Equipe O LONDRINENSE

O que é, o que é? É salgada e doce, é ácida e também macia. Tem crocância e enche os olhos de beleza, é diversa e enche a boca de sabor? Isso mesmo. A culinária asiática! Nada de comida japonesa ou chinesa, temas já batidos no ramo gastronômico, muito polêmicos, aliás, por seus perfis “ama ou odeia”. Trouxemos desta vez, algo um pouco diferente, mais especificamente, com origem no sudeste da Ásia, como Tailândia, Vietnã e Indonésia.

Para quem gosta de comer bem, não pode deixar de conferir as novidades trazidas pelo Som Tam, ali na Avenida Madre Leônia. Inaugurado em dezembro de 2018, o restaurante, que leva o mesmo nome de um dos pratos mais típicos da Tailândia – a Som Tam, uma salada de papaya verde -, traz a culinária de rua do sudeste asiático, “tudo casual, sem complicações, pra comer com as mãos”, conforme explica um dos sócios-proprietários e chef, Leandro Volpini.

O chef Leandro Volpini é apaixonado pela
gastronomia asiática

Volpini é londrinense, tem 33 anos e é formado em Chef de Cuisine e Restaurateur pelo Centro Europeu, em Curitiba. Apesar de estar no comando da cozinha e mandar muito bem em tudo o que prepara, não se considera um ‘chef’. “Ser chef é um momento da profissão de cozinheiro. Comecei lavando louça, passei a ser auxiliar de cozinha, virei cozinheiro responsável por uma determinada praça e as chefias foram aparecendo. Mas, são momentâneas. Sou cozinheiro”, enfatiza.

Ele conta que nunca sonhou em trabalhar na cozinha, mas que, aos 20 anos de idade foi morar no Estados Unidos e, pela necessidade, começou a lavar louça em um restaurante. Foi então que se apaixonou pela rotina e desde então não parou mais. Passou por vários restaurantes com influência asiática, tanto em Nova Iorque, quanto em Curitiba, quando retornou ao Brasil. Depois disso, atuou em outros restaurantes com uma pegada mais contemporânea, de culinária europeia, tanto na capital quanto em Londrina, mas a gastronomia asiática permaneceu ali presente em seu coraçãozinho, dando comichões para um novo passo em sua vida.

Para buscar inspirações, Volpini viajou para a Tailândia, há três anos. “Foi uma viagem mágica, sem dúvidas uma das melhores da minha vida. Realmente amei o lugar, a simplicidade, como eles encaram as refeições. Eles são apaixonados pela culinária e pelo prazer de comer”, relata.

Apesar de existir “gente chata” para todo tipo de comida no mundo, o chef (cozinheiro) acredita que o brasileiro é bem aberto a experimentar novidades e, em Londrina, não tem sido diferente. Desde que abriu, o Som Tam vem recebendo ótima aceitação do público, que procura de espetos a sanduíches, além dos pratos mais sofisticados. O queridinho da casa é o “Combo”, composto pelo Satay (espetos) e o Banh Mi (um sanduíche vietnamita), que serve até duas pessoas, e com preços bem camaradas. Têm entradas de R$ 9 a R$ 19 e os pratos principais variam entre R$ 27 e R$ 35. O que é uma ótima notícia para nós, não é mesmo?

Mas essa mistura não é estranha?

Segundo o chef e os próprios clientes do restaurante, a comida do sudeste asiático se diferencia da brasileira, basicamente, pelo tempo de cocção nos preparos e na utilização de alguns ingredientes. Alguns são indispensáveis, como o Nam Plah (molho de peixe), um fermentado de peixe usado para salgar o preparo, por exemplo. Além deste, ainda tem o molho de ostras, o açúcar de palmeira, as folhas de Lima Kaffir, dentre outros de nomes mais complicados. No entanto, sua principal característica está no equilíbrio entre todos esses sabores considerados “estranhos”. Mas, se você prestar atenção, verá que não há nada de tão inusitado assim. Então, deixa de frescura e vá experimentar.

José Guilherme frequenta o Som Tam pelo menos uma vez por semana

José Guilherme Silva Telles, 36 anos, também cozinheiro, mas em um negócio próprio, frequenta o restaurante ao menos uma vez por semana e sempre leva amigos novos para conhecer, que acabam se tornando clientes também. “É um ambiente super aconchegante, com uma luz que se diferencia dos negócios vizinhos. Os pratos conversam com o clima da cidade, a comida é boa e fiel, os preços são acessíveis, o atendimento excelente e os donos (Leandro e Guilherme) muito atenciosos, cuidam de tudo com muito carinho”, comenta.

José Guilherme também afirma que, apesar de considerar Londrina ainda um pouco limitada para coisas diferentes, cabe ao próprio londrinense manter um negócio que goste, frequentando e divulgando sempre que possível. “Só assim as coisas boas continuam e crescem, além de trazer novos empreendimentos gastronômicos para a cidade, assim como os mais divertidos como o Som Tam”, explica.

Vai ter receitinha, sim!

Satay Kai (Espeto de frango marinado com curry e leite de coco)

Ingredientes:

400 g de peito de frango em cubos
2 colheres (sopa) de curry em pó
1 colher (sopa) de cominho em pó
1 colher (sopa) de semente de coentro em pó
1 colher (sopa) de cúrcuma em pó
1 colher (sopa) Páprica Picante em pó
5 dentes de alho
15 g de gengibre ralado
1 bulbo de capim-limão cortado bem pequeno
100 ml de leite de coco.

Modo de preparo: Salgar os cubos de frango a gosto e misturar todos os ingredientes em um saco plástico bem apertado por 24 horas. No dia seguinte, pegar os palitos imersos em água e espetar 100g de frango em cada espeto. Levar para churrasqueira bem quente ou chapa de ferro na boca do fogão.

Dica: Colocar palitos de madeira imersos em água (para que não queimem na churrasqueira ou chapa) 24 horas antes de espetar.

Tempo de preparo: 3 minutos de cada lado para cada espeto.
Rendimento: 4 espetos de 100g cada.

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