A arte exige um pouco de preparo físico e muita disposição para trabalhar com argila; técnicas para moldar o barro aliviam o estresse e a rotina
Telma Elorza
Equipe O LONDRINENSE

Há quase três anos, a designer Ana Elisa Carneiro, 41 anos, decidiu estudar um assunto que a interessava há tempos: cerâmica. A ideia era desestressar a cabeça trabalhando com as mãos. Em menos de um ano, o que era um hobby virou uma outra profissão. Ela começou a fazer peças para vender e, com a marca Elisa.Fogo – nome da avó – , está ficando conhecida no meio. Tem encomendas de todo Brasil, de clientes encantados com a delicadeza de suas peças – do vaso romã, passando pelo besouros e carpas decorativas e às peças utilitárias de rara beleza, em pratos, tigelas e xícaras.
Há cerca de um ano, Ana Elisa foi convidada por sua professora Jane Benutti, do Ateliê de Artes Benutti, a também dar aulas. Topou. Hoje atende duas turmas, às terças-feiras, das 14h30 às 17h30 e das 19 às 22 horas, cada turma com seis alunos. Não quer abrir mais turmas para poder se dedicar a suas peças. “Gosto de dar aulas mas fazer é melhor”, brincou.
Seus alunos concordam. “Eu precisava fazer algo totalmente diferente da minha profissão, para aliviar a cabeça, sair da rotina. E trabalhar com as mãos é relaxante”, disse o psicólogo Vitor Bassetto, 29 anos, o único homem e o mais novo da turma – não só na idade. Ele começou com as aulas há cerca de um mês e está gostando muito da atividade. Na última terça-feira, estava aprendendo a técnica da barbotina, a argila líquida para fazer peças moldadas. “A barbotina é uma das mais simples, mas exige cuidados para que a peça não tenha defeitos. Existem milhares de técnicas de cerâmica que a gente pode trabalhar. Sempre que um aluno aparece com algo diferente, que viu na internet, por exemplo, a gente vai pesquisar e aprende a fazer junto”, explicou Ana Elisa.
Grace Li Mikaela Walter Lentini, 52 anos, professora frequenta o curso há sete meses e na noite em que a reportagem do O LONDRINENSE visitou o ateliê, ela “batia” – com força – na argila. Explicou que era para tirar as bolhas de ar e a “memória” do material. “A argila pega a forma do pacote, de onde está. Então a gente bate para apagar isso”, contou, meio ofegante. Algumas técnicas exigem um certo preparo físico – além de espancadas, precisam ser amassadas por, no mínimo, 70 vezes e, em alguns casos, abertas com rolos. “Você precisa saber usar seu peso a seu favor para não sair com o corpo doendo daqui”, explicou Ana Elisa.
Quem quiser saber mais sobre cerâmica e suas técnicas pode seguir os Instagram de @elisa.fogo, @ateliedeartebenutti e @janebenutti.

