Vários olhares sobre um Brasil

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Por André Luiz Lima


A arte dos encontros está em perceber o momento presente, deixando fluir a mensagem do que realmente nos faz sentido.

Estou sempre alerta aos sinais, aprendi com a arte a saber ver e ouvir, o autoconhecimento que abre portas internas de entendimento, o olhar humano que nos ajuda diariamente a superar desafios.

Nesses momentos inesperados, como já comentei em textos anteriores, eu  fiz um evento para a Embaixada do Equador em Paris e encontrei a arqueóloga, egiptóloga e jornalista Chantal Manoncourt, que é apaixonada pelo Brasil.  

Gostaria de começar a dividir nossas conversas e porque Chantal me mostrou um Brasil Extraordinário. 

Quando você está verdadeiramente presente para o outro, ouvindo, sem julgamento, abre-se um espaço de confiança e respeito, gerando afeto. 

Nesse espaço de trocas íntimas, Chantal me mostrou suas fascinantes aventuras pelo Brasil.

Divido uma passagem de Chantal pelas cidades históricas de Minas Gerais, seus cantos e encantos, abrindo a possibilidade de vários olhares em detalhes e delicadezas.

Tutu à Mineira – Foto: Reprodução da internet

A visita das cidades de Minas Gerais foi uma grande descoberta histórica, tanto cultural quanto artística. Cada vez era uma caminhada cheia de surpresas e encanto. É a única região do Brasil onde as distâncias são pequenas entre as cidades, então é fácil fazer um roteiro de carro entre elas. Foi nesses lugares que descobri as especialidades culinárias como tutu à mineira e feijão tropeiro e gostei muito. Além disso, o clima é muito agradável e a paisagem rodeada de colinas é bem pitoresca.

Ouro Preto – Foto: Pinterest

A primeira cidade foi Ouro Preto, onde adorei o ambiente colonial e a unidade da arquitetura das casas com detalhes refinados de uma porta, uma varanda, uma janela e uma fonte. 

Fui visitar o museu da Inconfidência onde aprendi muito sobre os Inconfidentes e Tiradentes. 

Museu de Mineralogia – Foto: MCT

O museu de Mineralogia, localizado no antigo palácio do Governador, é muito interessante. Soube que foi construído pelo pai do Aleijadinho, Manuel Francisco Lisboa, que eu não conhecia. Ao lado tem a Escola de Minas e descobri que o primeiro diretor foi um francês, Henri de Gorceix, honrado em uma sala. No primeiro andar do museu tem peças excepcionais que vêm do Brasil e do mundo inteiro.

A visita das igrejas revela verdadeiros tesouros. Dentro de Nossa Senhora Conceição, Antônio Dias tem duas belas fontes de água benta em pedra sabão: pedra que descobri pela primeira vez.

Santa Efigênia conta a história de um rei africano, Chico Rei, que foi prisioneiro na África e vendido como escravo. Chegou no Brasil e conseguiu a rica mina da Encardideira, e escolheu como patrona santa Efigênia. No interior da igreja tem a fonte de água santa onde as mulheres negras lavavam os cabelos, deixando cair o pó de ouro secretamente recolhido e que serviu para construção da igreja. Na sacristia tem uma bela cômoda de jacarandá.

Padre Faria, chamada também Nossa Senhora do Rosário, é uma capela encantadora cujo coro é lindamente decorado com trabalhos em madeira e pinturas. Eu leio que o alto-mor é considerado por Diogo de Vasconcelos, na sua história antiga de Minas Gerais, como a joia mais rica da cidade.

Capela de Padre Faria – Foto: TripAdvisor

Nossa Senhora do Carmo: o interior se destaca pelas esculturas em pedra sabão, pedra tão macia ao toque que não me canso de admirá-la.

Nossa Senhora do Pilar: A magnífica decoração interior entalhada e dourada e seu teto pintado fazem desta grande igreja uma das mais belas de Ouro Preto.

Nossa Senhora do Pilar – Foto: TripAdvisor

Gostei muito do Pouso do Chico Rei, uma pequena pousada muito bem decorada em estilo colonial. Também fiquei no Solar das Lajes e na Pousada Luxor, lugares bonitos com decoração colonial.

Em Diamantina, cidade pequena, gostei de andar pelas ruas e descobrir belas casas, em uma delas, a Casa do Muxarabiê do estilo árabe, visitei o interessante Museu do Diamante.

Medidores de ouro – Foto: Museu do Diamante

Em Sabará, outra cidadezinha com museu de ouro e cinco igrejas, fiquei impressionada com o interior da Matriz NS da Conceição, que oferece esplêndidas peças de madeira talhadas e douradas, mas o que me emocionou são as pinturas que representam pessoas asiáticas, que me fazem lembrar os tempos em que Macau fazia parte da colônia portuguesa. Outra igreja, a encantadora capela Nossa Senhora d’O é uma pequena obra-prima pela elegância de suas proporções e as impressionantes pinturas chinesas.

Em Congonhas do Campo as capelas da Via Sacra representam a obra-prima do escultor Aleijadinho. Admirei todos os detalhes e principalmente a beleza dos rostos. Uma obra particularmente comovente. Em Congonhas me lembro de ter ficado no hotel Colonial, onde tinha uma vista muita linda do santuário e o restaurante era bem pitoresco, decorado com objetos antigos e mercado de pulgas. 

Tiradentes é uma pequena aldeia, com encanto tranquilo onde é bom passear e visitar a Matriz Santo Antônio e o museu Padre Toledo. Em Congonhas tem que se hospedar no Solar da Ponte, muito aconchegante, com jardim de flores e bem decorado.

Chantal, sempre atenta aos detalhes, vai além de um simples turismo, me fez relembrar meus antepassados de Minas Gerais, um convite que me permite tocar um Brasil além do que os olhos possam ver e o coração sentir. A arte dos encontros.

André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural.

Foto principal: Basílica de Matosinhos – Prefeitura de Congonhas/MG

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