Por André Luiz Lima
Na arte dos encontros, sigo rastros, recolho sinais, me deixo guiar por pistas que o caminho oferece. Às vezes tudo parece confuso, mas logo a clareza se revela: a arte é essa força que organiza o caos, que abre frestas, que desenha pontes invisíveis.
A vida, afinal, é essa grande aventura: com um mapa nas mãos ou apenas com a coragem de quem se lança, ela pode ser montanha-russa, mas também pode ser parque de descobertas e encontros.
Certa vez, compartilhei a lenda do índio que não via os navios.
Quando as caravelas surgiram no horizonte, os olhos dos povos originários não sabiam reconhecê-las. O cérebro não tinha registro para assimilar aquilo. Durante algum tempo, foi como se nada existisse sobre as águas. Só depois, aos poucos, a visão se abriu.
Quantas vezes em nossas vidas também não enxergamos o que já está diante de nós? É a arte quem nos prepara para esse despertar. Ela abre os olhos, afina a escuta, aquece o coração para perceber o invisível.

A arte é meu instrumento, minha linguagem.
Ela me permite, nos encontros, ver além das formas, sentir além das palavras, alcançar a inteireza do humano — corpo, voz, emoções, memórias. A cabeça, como mastro erguido ao alto, lembra-nos do divino. Mas é nas mãos que mora o gesto: mãos que criam, que moldam, que se levantam pedindo ajuda, que se abrem para o novo, que se estendem para o outro em convite.
Esse também é o norte do meu trabalho: o autoconhecimento, o saber ver e ouvir, e a pergunta constante — que corpo é esse?
Minha vida me conduziu a esses pilares.
Brasileiro, herdeiro da mistura de tantos povos, aprendi desde cedo a conviver com olhares diversos. Sonhei alto ainda menino e permaneci fiel a esses sonhos. Viajei por países e culturas distintas, estudei, atuei, dirigi, encontrei amigos em lugares improváveis. Em cada encontro, desmontei crenças, renovei percepções, transformei o mundo e fui transformado por ele.
Foi dessa experiência que nasceram três fundamentos:
- O autoconhecimento, raiz que nos chama a habitar nossa própria casa, reconhecer limites e potências, sem máscaras.
- O saber ver e ouvir, a escuta do silêncio e do invisível, o gesto de perceber o que vibra por trás da aparência.
- A pergunta “que corpo é esse?”, devolvendo-nos ao território da experiência, onde o corpo é memória, emoção e canal de autenticidade.
Esses pilares são como um mapa. Um guia para viver com mais presença e clareza, num mundo de encontros.
E é sobre isso que falo em minhas palestras, cursos, documentários e em toda experiência que crio: uma escola da expressão, onde os encontros se tornam obra viva.
Khalil Gibran, poeta e filósofo, lembrava: “a beleza não está no rosto; a beleza é uma luz no coração”.
Essa luz é o que a arte desperta em nós: abre caminhos para dentro, para o outro e para o mundo.
É dessa luz que nascem os encontros: vivos, transformadores e verdadeiros.
Viva a arte dos encontros.
Viva a vida, André.
André Luiz Lima

Londrinense, ator, diretor, professor, palestrante e produtor cultural. Siga os Instagrans de André, @allconnecting e @aondevaiandre
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Uma resposta
André querido, fonte de inspiração!! Grata