A arte de ver o mundo

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O artista vê o mundo através das cores, luz e sombra, riscos ou linhas, volumes e formas, e, acreditem, isso é tão simples quanto extraordinário! Para um desenhista, o universo se resume a linhas: curvas, retas, hachuradas…Nosso cérebro segue padrões desde os tempos das cavernas , chamamos isso de “atávico”; trazemos informações no nosso DNA dos ancestrais, conhecimentos para a sobrevivência. Sem isso, é mais provável que nem estivéssemos aqui, nada de memória = “niente” de seres humanos.

Um exemplo simples é a linha do horizonte: se pegarmos uma folha sulfite em branco e traçarmos uma linha horizontal (para quem não sabe , uma linha deitada, vem da palavra horizonte), automaticamente o cérebro vai reconhecê-la como a própria linha do horizonte mesmo. Daí vem a perspectiva linear, ou seja: se você desenhar um figura grande abaixo da linha, teremos a percepção ou a sensação de que estamos vendo uma pessoa bem perto. Quanto mais acima da linha, a sensação será a de distância.

Da mesma forma, pegue uma folha em branco e coloque um ponto exatamente no meio da folha: você terá a sensação de que o ponto está estático, parado… Se o deslocarmos para a direita ou esquerda, ele já dará a sensação de movimento.

Me perguntam qual o segredo da Monalisa de Da Vinci, seus olhos parecem nos seguir e sua expressão é “enigmática”… Nada mais é que um artificio do inteligentíssimo Da Vinci…Pontos fora do foco e um sorriso no meio do movimento (ninguém sabe se ela vai abrir um sorriso ou ficar séria), o resto é lenda! Cá entre nós, tenho sérias dúvidas se não foi o próprio Da Vinci quem “plantou” as sementes disso… (Quem disse que um gênio não pode ser também divertido!?).

Ele fez o Homem Vitruviano, uma figura masculina com todas as medidas padrões da anatomia: o espaço que vai da linha dos pulsos até as linhas do interior do cotovelo é a medida do seu pé, o espaço entre os olhos é a mesma medida dos seus olhos, se esticarmos os braços  percebemos que a linha interna dos cotovelos coincidem com a altura da cintura…

Cada parte do nosso corpo é proporcional e cria uma harmonia entre todas as partes, tirando algumas exceções, o lado esquerdo é maior que o lado direito. Existe inclusive um estudo sobre isso, acreditam que quanto mais proporcional e simétrico o ser humano é mais atraente ele se torna, isso faz com que atraia seus parceiros ou parceiras, garantindo que o ser humano sobreviva… Ainda somos animais, e não existe nada de errado em termos consciência desse fato e tirarmos o melhor disso… A intuição, instinto de sobrevivência e conhecimento atávico é o que nos ajuda a ficarmos vivos.

Acervo Pessoal

Já para um pintor, o mundo é feito de cores e manchas, uma sobre a outra. Obras extremamente realistas nada mais são que jogos de luzes e sombras, manchas escuras e claras…

Para o escultor, tudo é um jogo de volumes e formas. Lógico que todas as categorias de técnicas tem a luz e sombra, configuração, cores, linhas, como atributos, só que as vezes uma se sobressai sobre a outra… Muitas vezes, para um escultor, as cores não são importantes, mas sim a textura do material em si, como o gesso , a madeira ou o mármore.

O que é muito importante é que, para um artista, um corpo nu é apenas uma forma como outra qualquer. Ele pode transformá-lo em uma figura angelical; profana, sagrada, sensual ou no que quiser. Depende da mensagem que o artista quiser passar. (Que essa informação sirva para os moralistas de araque de plantão, que com certeza devem tomar banho de roupa! Desculpem, mas não resisti…).

Tenho tido a oportunidade de observar as pessoas e vejo sempre muita gente insatisfeita com seus corpos, mal sabem elas que eles são proporcionais, dinâmicos, coloridos, com as linhas desenhadas pela natureza… Como é chato ver todo mundo querendo ser igual ao outro ou a alguma celebridade…Isso não faz parte da natureza humana, somos feitos para sermos diferentes!

Bom resto de semana de céu azul e calor para todos!

Foto: Reprodução do Homem Vitruviano de Da Vinci

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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