Mulher fica “larga” depois de ter muitos parceiros?

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Mulher fica larga depois de ter muitos parceiros”?

Esses dias, vi um post no Instagram, do sexólogo Mahmoud Baydoun – um dos caras mais sensatos que sigo nas redes sociais – com um cartaz em mãos que dizia algo mais ou menos assim: “Por que os caras acham que a mulher fica ‘larga’ ao dar para 30 caras e não fica ao dar 30 vezes pro mesmo cara”? Eu ri muito, repostei e publiquei no meu story.

E resolvi fazer uma coluna justamente para desmitificar esse mito, um dos que mais aparecem na internet com a mesma frequência de boletos vencendo. A “teoria da mulher rodada”  (e, portanto, “larga”) tem vários estudos pseudocientíficos do tio do churrasco, formando na Universidade Vozes da sua Cabeça. A ciência séria, por outro lado, não compra essa história.

A vagina não é cós de cueca velha, que perde a elasticidade depois de muito uso. Pelo contrário. É um órgão muscular, elástico e altamente adaptável. O próprio funcionamento dela depende disso. Estamos falando de uma estrutura capaz de permitir penetração, absorver impacto, voltar ao normal e, na maioria dos casos, deixar passar um bebê de 3,5 quilos (em média). Comparado a isso, o pau de um cidadão que se acha irresistível é praticamente um cotonete ambicioso.

Pesquisas realizadas sobre a biomecânica vaginal mostram que o tecido da vagina possui propriedades elásticas e musculares complexas, justamente para se adaptar e, depois, retornar ao formato original. Ou seja, ela foi biologicamente feita para distensão TEMPORÁRIA. E não existe um estudo científico sério mostrando relação entre “número de parceiros” e “alargamento permanente”. Nenhum. Zero.

Claro que mudanças naturais relacionadas a fatores como idade, parto natural, alterações hormonais, menopausa e enfraquecimento do assoalho pélvico podem influir um pouco, principalmente depois dos 50+. Mas há ginásticas íntimas – como o pompoarismo – que servem para fortalecer os músculos novamente. Ou seja, o dano não é permanente.

De onde vem, então, o que dizem serem mulheres “largas”

Sempre tem um cara que vai dizer “ah, peguei uma que era muito rodada e nem sentia meu pau lá dentro”.  Esses, geralmente, se confundem com duas coisinhas básicas:

A excitação sexual – quando a mulher está muito excitada, ocorre o relaxamento e expansão do canal vaginal, que pode passar da média de comprimento da vagina, cerca de 10cm, para 14-16 cm. O corpo faz isso para tornar a relação mais confortável. Isso é sinal que tá tudo bem, funcionando direitinho. Então, se assim ela parece mais larga, parabéns, conseguiu deixar sua parceira interessada na transa.

O pau fino – Se você tem uma “caneta” entre as pernas, desculpe informar, mas mulher nenhuma vai ser suficientemente “apertada” para você. Aconselho a procurar um especialista. Já existem métodos de preenchimento de pênis, um procedimento estético geralmente realizado com ácido hialurônico (sim, aquele usado para preenchimento facial) que serve para aumentar a circunferência. Só vai ter que repetir o procedimento a cada 12 a 18 meses.

Como não bastasse toda essa baboseira de “alargamento”, ainda tem homem que acredita em outra teoria: que a vagina “se acostuma” com um pênis específico – tipo “molde do parceiro” – como se fosse um colchão de espuma da NASA. Mais uma babaquice propagada pelo  tio do churrasco. Totalmente sem evidência científica.

Agora o mais engraçado é que os defensores da tese da “mulher larga” são aqueles que juram que vão “arrebentar” na cama. Geralmente são aqueles caras inseguros que não querem mulheres experientes porque elas vão sacar logo que eles são fode-mal, HO! O cara passa 5 minutos (quando chega a isso) ofegante na transa e acha que deixou sequelas físicas e emocionais permanentes. Calma aí, ô Wolverine do Jardim Leonor. Você não é tudo isso aí, não.

Então, antes de sair dizendo por aí que a moça que você transou é “larga”, analise tudo que escrevi por aqui, calabrezo. Talvez a moça apenas saiba transar sem parecer uma porta emperrada ou seu pau parece mais um pirulito chupado até o fim.

No fim, essas conversas que rolam na internet dizem mais sobre a insegurança masculina do que sobre a anatomia feminina. Também, o que esperar de quem precisa de um mapa e uma lanterna para achar o clitóris?

Espero ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

A tese de que as mulheres podem ficar "largas" transando com muitos parceiros aparece mais que boleto para pagar, na internet. E não tem nada na ciência que comprove isso
Tia Telma versão IA

Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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