Mortal Kombat 2: experiência barulhenta e divertida

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Por Marcelo Minka

Numa semana sem grandes estreias nos cinemas, Mortal Kombat 2 surge como uma opção diferente. Não é exatamente o tipo de filme que costuma pedir análise delicada ou reverência crítica, mas isso não significa que deva ser descartado. Alguns filmes exigem reflexão, outros, oferecem uma experiência direta, barulhenta e divertida. Este pertence claramente ao segundo grupo. É programa de shopping, de pipoca, de passeio com filhos mais velhos, sobrinhos já na idade adequada ou amigos que cresceram ouvindo a frase “Finish Him!”

Dirigido por Simon McQuoid (Mortal Kombat, 2021), o filme dá continuidade à adaptação recente da famosa franquia de games criada nos anos 1990 e agora amplia seu universo com mais personagens, mais combates e uma violência ainda mais explícita. A classificação indicativa de 18 anos no Brasil não é mera burocracia, o filme aposta em sangue, golpes brutais, mutilações estilizadas e nos famosos fatalities, marca registrada da série. Portanto, é diversão, sim, mas não diversão infantil.

A trama, como quase sempre nesse universo, interessa menos pela sofisticação narrativa do que pela sucessão de confrontos. O Plano Terreno volta a ser ameaçado, guerreiros são convocados, alianças se formam, rivais retornam e tudo parece caminhar para o que o público realmente espera: luta. O cinema, aqui, não está preocupado em esconder sua origem de videogame. Ao contrário, assume essa matriz com certa honestidade. Os personagens entram e saem de cena como figuras de seleção de jogador, cada um carregando visual, golpe, bordão e função dramática bem definidos.

Mortal Kombat 2 cumpre o prometido quando para de se justificar: muita diversão e pancadaria

O destaque maior é a entrada de Johnny Cage, vivido por Karl Urban (série The Boys, 2019-2026), que traz ao filme uma energia mais irônica e autoconsciente. Cage sempre foi uma figura meio absurda dentro da franquia, um astro de ação vaidoso, canastrão e engraçado, uma espécie de comentário interno sobre o próprio exagero do gênero. Urban entende esse tom e parece se divertir com ele. Ao redor, retornam nomes como Hiroyuki Sanada (O Último Samurai, 2003), Lewis Tan (Deadpool 2, 2018), Jessica McNamee (Megatubarão, 2018), Mehcad Brooks (Supergirl, 2015), Ludi Lin (Power Rangers, 2017) e Joe Taslim (Operação Invasão, 2011), além de novas presenças como Adeline Rudolph (O Mundo Sombrio de Sabrina, 2018), Tati Gabrielle (You, 2018) e Martyn Ford (Velozes & Furiosos 9, 2021).

Mortal Kombat é entretenimento, não esqueça disso

Mortal Kombat 2 funciona melhor quando para de fingir que precisa explicar demais e simplesmente entrega aquilo que promete. As cenas de ação têm impacto, os confrontos são montados para agradar quem conhece os jogos, e há um prazer evidente em ver personagens icônicos sendo tratados como atrações principais. Não se trata de grande cinema, e seria injusto exigir dele a densidade de um drama adulto ou a elegância de uma obra autoral. Mortal Kombat 2 joga em outra arena: a do entretenimento físico, exagerado, violento e assumidamente popular.

O problema é que esse tipo de filme vive sempre na fronteira entre o prazer e o excesso. Quando a ação engrena, a sessão diverte. Quando o roteiro tenta se sofisticar, o peso da explicação aparece. Ainda assim, a continuação parece entender melhor sua natureza do que muitas adaptações de games. Ela não tenta transformar Mortal Kombat em algo nobre demais, nem em algo limpo demais. O atrativo está justamente no oposto: na sujeira visual, na brutalidade coreografada, no humor de pancada, na nostalgia e na sensação de que o filme foi feito para quem quer ver esses personagens em movimento, não para quem espera uma revolução estética.

Mortal Kombat 2 cumpre bem a função de “Sessão da Tarde” para maiores. É um filme para ir ao cinema sem solenidade, desde que se saiba exatamente o que está comprando: violência extrema, fantasia marcial, humor ocasional, personagens conhecidos e uma diversão que não pede grande elaboração intelectual. Divirta-se.

Marcelo Minka

Mestre em Antropologia Visual (UEL), dá forma à linguagem estética da Angatu Joias, unindo arte, forma e símbolo em criações que revelam a poética entre design e significado. Artista visual e pesquisador, transita entre o pensamento e o fazer, inspirado pelas viagens, pelos sabores, pela natureza e pelas culturas que encontra pelo Brasil e pelo mundo. Cinéfilo nas horas vagas.

Me siga no Instagram: @marcelo_minka 

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