Eu gosto de enforcar e bater forte

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Eu tenho um segredo que não posso contar para ninguém: eu gosto de enforcar e bater forte”.

Bom, meu amigo, agora seu segredo não é mais tão secreto assim. E me aponta que você tem uma espécie de sadismo sexual: obtém prazer com a dor do outro. Estes dois fetiches – enforcar e bater – precisam ser autorizados pela(o) parceira(a). Se não, você estará cometendo um crime. Vamos pressupor que você não tenha tido a oportunidade de realizá-lo (porque disse que é segredo). E vamos dizer que não é tão fácil encontrar quem gosta de ser asfixiado e apanhar ao mesmo tempo. Se já aplicou em parceiras sem pedir a permissão, você simplesmente agrediu-as. E isso precisa ser tratado com psiquiatra, porque normal não é.

Mas vou dar o benefício da dúvida e apostar que você nunca fez nada sem permissão. Neste caso, sugiro procurar parceiros submissos, praticantes de masoquismo, em grupos de BDSM sobre o assunto. E sugiro que conheça bem as regras (sim, tem regras rígidas que devem ser seguidas à risca) do BDSM, antes de explorar seus fetiches.

Mas vamos explicar esses dois fetiches de forma bem didática, ok? Principalmente porque os dois trazem certos riscos físicos para os parceiros. E, portanto, volto a afirmar, você precisa explicar o que gosta de fazer e obter o consentimento claro de quem está com você, seguir as regras e tudo mais, para não dar merda.

Bater é até comum e enforcamento já fez vítimas fatais

Bater durante a transa é até comum. Os famosos tapas na cara e na bunda são até comum encontrar parceiros que gostam. O desejo sexual pode ser intensificado com alguns tapas porque todos os sentidos acabam sendo estimulados. Estes tapas devem ser mais leves do que você imagina, só para dar uma “ardidinha”. E deve ser consentido, sempre, mesmo que seja um simples tapa estalado na bunda. Lembro que uma vez levei um de surpresa e não gostei. Parei com a transa e fui embora. “Ah, tia Telma, que exagero”! Exagero não, porque não foi combinado e eu não gosto de apanhar. Ninguém rela em mim sem meu expresso consentimento.

Ah, e esses tapas não tem nada a ver com “bater forte”, como você disse. Bater forte, para mim, é espancamento. Então, procure um masoquista sexual que goste realmente de apanhar.

Já o enforcamento, chamado de asfixia erótica ou hipoxifilia, é um fetiche perigoso que já fez várias vítimas pelo mundo, inclusive alguns famosos como o ator David Carradine e do músico Michael Hutchence, do INXS, que praticaram a autoasfixia, só para dar dois exemplos. A autoasfixia é extremamente perigosa, mas é escolha da pessoa. Enforcar outra pessoa requer ainda mais cuidados, porque, se não souber fazer, pode matar alguém.

E porque tem tanta gente que gosta da asfixia erótica, que é uma restrição intencional da respiração, geralmente usando mãos, cintos, cordas ou outros objetos para bloquear temporariamente o fluxo de ar durante o sexo? O objetivo é intensificar a sensação de prazer através da redução de oxigênio no cérebro, o que pode levar a euforia e excitação intensas.

No entanto, além da morte, há outros riscos significativos para a saúde de quem é enforcado repetidamente. A prática rotineira pode levar a danos cerebrais irreversíveis e parada cardíaca. A falta de oxigênio pode causar desmaios, convulsõe e lesões neurológicas, mesmo em casos onde a asfixia não resulta em problemas imediatos. Então, o parceiro que se submete a esse fetiche precisa estar EXTREMAMENTE CONSCIENTE dos riscos.

Enforcar por controle

A psicologia por trás a prática de enforcar alguém é complexa. Para alguns, a sensação de controle que aumenta a intensidade do prazer é altamente atrativa. No entanto, especialistas do mundo inteiro alertam que não deve ser considerada “apenas uma brincadeira”. Embora pareça uma forma tentadora de explorar o prazer, os perigos são extremamente reais e não devem ser subestimados. É preciso priorizar a segurança e o bem-estar físico.

Espero que ter ajudado.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

Enforcar ou bater forte em alguém são práticas sadomasoquistas. Porém, ambas são perigosas e exigem consentimento do parceiro
Tia Telma versão Inteligência Artificial

Telma Elorza é jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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