Por Ângela Diana
Pelo terceiro ano consecutivo, eu e Rogério (DNA do Rock) fomos convidados pela amiga Jucelei, para ajudarmos nos tapetes de Corpus Christi…
Acordar cedo aqui em casa é moleza, já que o Rogério acorda 3 da manhã todo dia, então às 5h30, já estávamos indo para a praça da Família, no jardim Igapó.


Aqui no bairro existem várias praças, algumas esquecidas pela prefeitura, diga-se de passagem ( é uma pena que todas as vezes que pensamos na vantagem e na beleza de cada bairro, esbarramos com coisas mal feitas, mal cuidadas pelo órgão público responsável).
Enfim… bora falar do que é bom hoje!
Acredito que o cerne de fazer os tapetes é a comunidade se unir! E promover um café comunitário, aonde cada um leva garrafas de café, leite, bolo, sanduíches e até canjica.
Esse é um dia do ano que, invariavelmente, faz frio, então cheiro de café quente faz uma grande diferença!

Os vizinhos, amigos, conhecidos acordam cedinho e todos se contagiam pela alegria de estarem juntos com o mesmo propósito! Honrar a Cristo, Nossa Senhora e, no caso da paróquia aqui, também São Francisco, já que é a ordem que dirige a paróquia Nossa Senhora Aparecida, do Jardim Igapó.
Acredita-se que a tradição do tapete, venha dos portugueses, como uma forma de adoração e é quando o Santíssimo sai da igreja. O Santíssimo, para quem não sabe, é a própria hóstia, o sacramento do corpo e sangue de Cristo.
O padre caminha com ele e somente ele pode andar sobre os tapetes.
São símbolos que cada fiel faz com amor.
Os tapetes e a finalidade da arte

Há três anos trago uma informação sobre esse dia.
Porque eu acho que define muito bem uma grande finalidade da arte: representar símbolos sagrados, unir as pessoas e muitas dessas pessoas passam o ano todo preparando o material para colocar no tapete…Como foi o caso da nossa amiga Jucelei e o Aldo (esposo dela). Eles guardarem cascas de ovos para fazer o branco da túnica de Cristo.
E ela não está longe de como o branco do cal, ou do cálcio, é usado para fazer tinta!
Outra coisa é o sal grosso com pigmento e a serragem que é preparada por voluntários , em sacos enormes … São guardados na igreja até o dia de fazer o trabalho dos tapetes.
Usam também tampinhas de garrafas coloridas, cordões coloridos para as linhas dos desenhos. Em muitos lugares do Brasil, as flores são protagonistas…(Sempre imaginei o perfume de um enorme tapete feito de flores). A criatividade aliada com um objetivo!
E sobre a religião? O que que tem? Sim, várias pessoas me perguntam (sempre!): “mas vocês são católicos”? O que eu respondo? Somos brasileiros! De boa! Isso já diz tudo!
E outra, como diz uma amiga nossa, “a arte é a minha religião”! Tá bom?
Ver pessoas contentes , partilhando comida e café, trabalhando para um bem comum, aquece o coração no inverno!
Adoraria que isso servisse de exemplo, para várias ações do bem!
Outra coisa! O caminho do “bem”, da paz, de senso de comunidade, do amor, da amizade É a verdadeira “religião”. Coloque você o nome que quiser… Concorda?
É bonito de se ver e um pouquinho do resultado está aqui nas fotos.
Aliás, lembrando que essa arte faz parte da “arte efêmera”, que é feita com o objetivo de não durar!
Espero que o seu feriado tenha sido ótimo! ![]()
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Até a próxima coluna e bom final de semana!
Ângela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Instagram angela_dianarte
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