Por Telma Elorza
Daqui a 13 dias, completa-se seis meses que o prefeito Tiago Amaral assumiu a administração de Londrina. E o que Londrina viu de concreto nesse período? Só polêmicas e nenhuma ação. Tá, seis meses são pouco tempo para resolver os problemas do município, mas seria tempo suficiente para mostrar disposição, prioridades e, principalmente, responsabilidade com o dinheiro público e com demandas urgentes da população. O que vimos até agora, no entanto? Turismo internacional, promessas vazias (e pouco consistentes), aumento salariais para alguns e silêncio diante das críticas.
A administração já começou com a polêmica do aumento de salários dos secretarios municipais ainda antes da posse. Houve um aumento substancial no salário do vice-prefeito (140%) e secretários (52%). Além disso, um projeto de lei – agora retirado de pauta temporariamente -, de autoria do Executivo permitia que três secretários, oriundos de outros órgãos públicos, recebessem o valor do seu salário original mais 90% do salário de secretário municipal, ultrapassando o teto. O pior é que os valores foram pagos sem que o projeto fosse sequer votado. O MP já disse que não pode.
Enquanto isso, as professoras dos Centros de Educação Infantil (CEIs) continuam recebendo salários defasados. Educadoras que cuidam das crianças da base, muitas vezes em situações difíceis, seguem desvalorizadas. A gestão preferiu valorizar o alto escalão em vez de quem atende os filhos das classes trabalhadoras. Totalmente óbvio que o governo não está minimamente preocupado com a educação da parte da população que precisa de muito apoio.
Aliás, nem o secretariado está completo: há três interinos trabalhando nas pastas Procuradoria Geral, Agricultura e Trabalho, Emprego e Renda; um secretário acumula Gestão Pública e Recursos Humanos e uma secretária acumula Assistência Social, Políticas para Mulheres e Idosos – que o prefeito teve a brilhante ideia de fundir em uma pasta só, apesar dos protestos contrários. Ainda não saiu do papel, mas sabe-se lá quando a ideia de jerico deve acontecer.

E por falar em Assistência Social, seis meses bastou para a pasta protagonizasse duas polêmicas: a viagem da secretária ao litoral do nordeste para participar de um encontro de mulheres empresárias (ela própria uma), em um evento que nada tem a ver com a pasta, mas paga pela verba da Assistência; e o “sumiço” de três mil pessoas na levantamento feito em outubro de 2024 sobre a população em situação de rua de Londrina, sem apresentar nenhum plano de acolhimento ou reinserção na comunidade, como mostrou a coluna Crônicas de Uma Cidade desta semana.
As viagens de Tiago Amaral
Por falar em viagens, o prefeito também teve tempo para fazer duas internacionais, uma para Nova York, em meados maio, e, agora, na França para participar do Woca 2025 (cuja programação inclui um torneio de golfe no mais belo campo do país, degustação de queijos e vinhos e relaxamento em spas). Duas belas viagens que podem ou não trazer investidores para Londrina. Qual será o retorno real para Londrina dessas duas maravilhosas experiências? E quantas viagens a Brasília ele computou neste período? Sim, aquelas batendo de porta em porta, atrás de verbas para obras e soluções de problemas? Não soubemos de nenhuma.
Problemas esses que continuam aumentando. A área de Saúde, sempre problemática, já apresenta indícios que nada vai bem. O relatório do primeiro quadrimestre de 2025, mostrou que a Ouvidoria já recebeu 834 reclamações contra 2.014 em todo o ano passado. O blog Paçoca com Cebola apontou tudo detalhamente. E o prefeito? Bom, ele não está enfrentando filas para atendimento nem a precaridade do serviço, né?
Além disso há obras em atraso como as do PAMs (Pronto Atendimento Municipal), já cheias de aditivos; e paradas – como a do aterro do Igapó, com a desculpa da falta de verbas.
A verdade é que a gestão de Tiago Amara está muito mais preocupada com aparência do que com essência. Muito marketing, muita pose (em viagens) e pouco resultado. Diantes de tantas polêmicas em seis meses, não seria hora de fazer uma autocrítica e sentar para trabalhar mesmo? Londrina está ficando para trás e isso é fato. O aeroporto de Maringá registrou mais movimentação, em número de voos e passageiros, que o de Londrina e isso é emblemático.
E não é por falta de potencial. Mas por por falta de comando. Amaral assumiu com o discurso de modernização, inovação e eficiência. Até agora, no entanto, entregou um governo disperso, vaidoso e sem foco nas reais necessidades da cidade. O básico não está sendo feito. Se nos primeiros seis meses o ritmo foi esse, o que esperar dos próximos três anos e meio?
Foto principal: Tiago Amaral no dia da posse, 1 de janeiro – Foto: Emerson Dias/N.Com
Telma Elorza
Jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD. Integra o Conselho da Mulher Empresária da ACIL.
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Respostas de 2
Entre viagens internacionais e sorrisos no Instagram, lá se foram seis meses. excelente resumo deste periodo Telma.
Ótimo relato de um prefeito arrogante e fraquíssimo. Pra mim, novidade zero.