Por Ana Paula Barcellos
Cópias, um fenômeno que por aqui gritou alto com os Lafufus — sim, aqueles primos baratos e tortos do Labubu, o queridinho da Pop Mart, mas é um movimento que vem ganhando força já tem um tempinho. Saem de cena peças originais como objetos de desejos, entram os fakes como símbolo de contestação e apropriação estética.
No caso do Labubu mesmo, enquanto o original reina nas vitrines globais com suas blind boxes e estética “cute-ugly”, o Lafufu, vendido por menos de R$40, virou o acessório must-have do Brasil. E não é só um boneco: é um statement, um manifesto da cultura de rua.

Aqui, o Lafufu roubou a cena rapidinho com um toque brasileiro: memes, hashtags como #FakeComOrgulho e customizações que dariam inveja a qualquer estilista. Além disso, temos os “Fake Fashion Haul” no TikTok onde bolsistas exibem grifes por centavos, e colocam o luxo sob suspeita, já que expõem réplicas de Hermès e Louis Vuitton feitas em linhas clandestinas — uma Birkin de US$38 mil custando apenas US$1.200, segundo o Business Insider. Até o Walmart entrou na dança com uma “Birkin genérica” a US$80, esgotada em horas.

Sempre digo que moda é linguagem, né? Pois esse fenômeno, de mãos dadas com o Lafufu, prova isso. A discussão entre original e réplica, antes um drama moral, virou um jogo estético.
Cópias imperfeitas, bugadas ou assumidamente falsas ganharam status nas redes — não como trapaça, mas como arte.
Uma amiga minha glitterizou o dela, colocou patches e disse que ele dá um “glamour estranho”. Vendido por uma fração do preço, o Lafufu viralizou com orgulho irônico, um acessório que carrega história e ruptura. É o street style elevando o dupe a categoria de ícone.
Fake florece
A economia do fake floresce, e eu adoro isso, confesso – logo eu que detesto réplicas – porque aqui o fake ganha outro contorno. Hashtags como #FakeHaul somam milhões de views, e o TikTok virou passarela de bolsistas que misturam crítica e autoexpressão. Uma bolsa “de grife” por R$20? Só se for com atitude.
O luxo perdeu o trono da credibilidade, e com isso surgiu uma outra narrativa. O impacto do exposed das bolsas de luxo que dizem ser feitas na China, foi sobretudo simbólico, e está nos forçando repensar o que entendemos por autenticidade. Se o original exige muito dinheiro, o fake entrega a mesma vibe por um preço que cabe no bolso — e com um toque de ironia que também traz pertencimento.

Penso no Lafufu como o novo Chanel da quebrada. Num mundo onde ostentar era sinônimo de status, ele nos ensina a rir de nós mesmos. Customizado, posado com afeto e exibido sem pudor, ele reflete uma estética que celebra o imperfeito. Lembrei de uma edição da Vogue que chamou isso de “nova poesia do consumo remixado”.
Concordo: o Lafufu não é só um boneco, é um manifesto. Enquanto o Labubu segue como fenômeno global cultural, seu irmão torto virou o queridinho das timelines, nos conectando à cultura pop gringa mas com um toque bem brasileiro.
O Lafufu lembra que moda não é apenas sobre ter, mas sobre ser. A dúvida: Ooriginal ou réplica? Ora, a resposta está na atitude que vem com a peça, de resto tanto faz.
Quem sabe, em 2026, o Met Gala não traga um tema “Dupe Couture”, no melhor estilo “sustente seu fake e sorria para o espelho”?
Não à toa, estamos vendo as grifes e grandes maisons se reinventando: a Miu Miu e a Saint Laurent estão com projetos literários, Louis Vuitton virou restaurante e vende chocolates de luxo, os desfiles de alta costura estão cada vez mais parecidos com grandes espetáculos… Etiqueta não é mais suficiente, monograma não faz tanta diferença assim, o que importa é o que você faz com eles.
Foto principal: Birkin Fake/Gemma
Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.
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