Por Telma Elorza
“Descobri que meu namorado de anos tem um caso com minha mãe. Estou desesperada com a traição dela, mais do que a dele. Como posso continuar tendo uma relação de afeto com ela, depois disso? Devo contar também ao meu pai?”
Miga do céu! Que situação! Se uma traição comum dói, imagino como está sua cabeça agora. Mas vou ser bem franca com você: não tem como passar pano pra isso. Seu namorado foi um canalha, sim, mas sua mãe… ela ultrapassou todos os limites do que é aceitável numa relação humana, ainda mais numa relação mãe e filha. Ela não errou — ela lhe destruiu. Foi egoísta, traiçoeira e profundamente desleal. E não é exagero dizer que o que ela fez é imperdoável.
Pensa bem: a pessoa que a colocou no mundo, que devia protege-la ou ajudar a minimizar as dores, causou uma das maiores que alguém pode sentir. Não foi um vacilo qualquer. Foi uma escolha consciente de se envolver com alguém que ela sabia que era parte essencial da sua vida afetiva por anos. Isso não é só imoral. É cruel.
Não romantize o laço familiar com uma mãe terrível
É claro que você está confusa e cogitando manter o relacionamento com ela. É sua mãe, né? A gente cresce com a ideia de que mãe é sagrada, que amor de mãe é incondicional, que ela nunca faria nada para nos ferir. Mas a realidade é que nem toda mãe é boa mãe. E tem mulher que, infelizmente, não merece o título de mãe. Não adianta esconder os fatos.
Se ela teve coragem de trai-la desse jeito, o que mais ela já fez ou faria sem culpa? Ela lhe respeita? A enxerga como filha ou como rival? Não dá pra manter uma relação de afeto verdadeira com alguém que age como inimiga.
A gente vive ouvindo que “família é tudo”, mas não é. Gente tóxica dentro da família faz tanto ou mais estrago que qualquer estranho. E pior: porque você baixa a guarda achando que pode confiar. Não caia nessa de que você tem que perdoar só porque é sua mãe. Laço de sangue não dá passe livre pra crueldade.
E quanto ao seu pai?
Você disse que não sabe se conta. Honestamente? Ele merece saber. Ele é mais uma vítima nessa história podre. É injusto que ele continue vivendo uma mentira. Agora, conte de um jeito que proteja você — escolha o momento, pense nas consequências, mas não leve esse segredo nas costas sozinha. Além disso, quem esconde traição que afeta alguém importante para nós, vira cúmplice, mesmo sem querer. Você não deve carregar esse fardo.
O que fazer agora, depois dessa traição?
Cuide de você. Se afaste, respire, chore tudo que tiver que chorar. E depois comece a reconstruir sua vida emocional sem essas pessoas que provaram que não a respeitam. Procure terapia, se tiver acesso. Se apoie em quem a ama de verdade. E saiba: você não está sozinha, nem é culpada de nada. A sujeira toda é deles.
Se um dia, lá na frente, sua mãe quiser pedir perdão e mostrar arrependimento real (o que é o mínimo), aí você decide se vale a pena escutar. Mas, por agora, o que você precisa é de distância e clareza. Amor próprio começa quando a gente para de aceitar menos do que merece — até da própria mãe.
Espero ter ajudado.
Tem dúvidas sobre relacionamentos? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é a Tia Telma
Telma Elorza é jornalista, divorciada e adora dar pitaco na vida dos outros. Mas sempre com autorização.
Siga O LONDRINE̅NSE no Instagram
Leia mais colunas do Consultório Sentimental da Tia Telma
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

