Por professor Renato Munhoz
O dia histórico para a Igreja Católica e para o mundo, o anúncio da eleição do novo Papa Leão XIV reacende uma chama que parecia cuidadosamente acesa, mas ameaçada pelo tempo: a continuidade da pauta ambiental iniciada com força profética pelo Papa Francisco.
Mais do que a escolha de um nome, a escolha de um símbolo. Leão XIV, ao evocar a figura do Papa Leão XIII — defensor incansável dos trabalhadores e dos pobres na virada do século XIX —traz consigo o peso da justiça social e, ao mesmo tempo, um sinal claro de fidelidade a um legado ainda recente, mas profundamente enraizado: o do Papa Francisco e sua “ecologia integral”.
No seu primeiro discurso como Papa, Leão XIV falou de “amizade com a criação”, de “responsabilidade compartilhada pelo planeta” e da “urgência de reconciliação entre progresso e cuidado”. Palavras que dialogam diretamente com a encíclica Laudato Si, de Francisco, mas também resgatam um espírito franciscano mais antigo: o da amizade entre Francisco de Assis e Frei Leão, seu companheiro de vida, silêncio e ternura. Aquela amizade profunda, que resistiu à vaidade e ao poder, agora parece ganhar novo fôlego — da Umbria a Roma, do campo à cátedra de Pedro.
A pauta ambiental de Francisco
A continuidade com a pauta ambiental de Francisco é um alívio para movimentos ecológicos, comunidades tradicionais, cientistas e fiéis ao redor do mundo. Leão XIV deixou claro que o tempo da indiferença acabou — e que o tempo de agir não pode mais ser adiado.
Ao citar explicitamente a “casa comum” e a necessidade de “uma conversão do coração e dos estilos de vida”, o novo Papa sinaliza que o pontificado anterior não foi um episódio isolado, mas o início de uma virada espiritual na maneira como habitamos o planeta.
Mas a escolha do nome “Leão” não é apenas uma homenagem aos santos e papas do passado. É um gesto carregado de coragem. Leão XIII foi o autor da encíclica Rerum Novarum, marco da Doutrina Social da Igreja, posicionando-se firmemente ao lado dos trabalhadores e da justiça econômica.
Leão XIV parece disposto a unir essa chama social com o fogo ecológico de Francisco — e talvez essa fusão seja a marca da nova etapa da Igreja: justiça ambiental como justiça social.
A esperança é grande. A expectativa, maior ainda. Mas o que é certo — e deve ser celebrado — é que a luz acesa por Francisco não se apagou. Ela continua iluminando, inspirando e provocando. Com Leão XIV, talvez estejamos assistindo à rara continuidade de um projeto de fé, ação e escuta da Terra.
Hoje, Roma se lembra de Assis. Hoje, o mundo se lembra de que a amizade entre Leão e Francisco pode, de fato, mudar o rumo da história.
Foto: CNS/Vatican Media
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
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