Série Laudato Si: de Francisco de Assis a Francisco de Roma, o chamado a ecologia integral

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Por professor Renato Munhoz

Há dez anos, o Papa Francisco lançou a encíclica Laudato Si, um marco na história da Igreja Católica e um convite ao mundo para refletir sobre o cuidado com a Casa Comum. O nome da encíclica, que significa ‘Louvado sejas’, faz referência ao Cântico das Criaturas, composto por São Francisco de Assis, o santo que cantava a fraternidade com todas as criaturas e via na natureza uma manifestação da presença divina. Mas o que une Francisco de Assis e Francisco de Roma além do nome? A resposta está no profundo compromisso com a harmonia entre a humanidade e a criação.

A espiritualidade ecológica de São Francisco

São Francisco de Assis, nascido na Itália no século XII, revolucionou a espiritualidade de sua época ao propor uma relação de respeito e ternura com a criação. Chamava o sol de ‘irmão’ e a lua de ‘irmã’, tratando os elementos naturais como parte de uma grande família universal. Sua vida simples, marcada pelo despojamento e pela humildade, continua a inspirar pessoas de diferentes culturas e religiões.

O Papa Francisco, ao escolher o nome de seu pontificado, declarou que queria uma Igreja pobre para os pobres, inspirando-se na figura de São Francisco. Na encíclica Laudato Si, ele resgata a visão franciscana de uma ecologia integral, em que meio ambiente, justiça social e espiritualidade caminham juntos. O Papa afirma que “não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma complexa crise socioambiental” (LS 139), propondo uma abordagem integral para enfrentar os desafios contemporâneos.

Laudato Si: uma convocação global

A encíclica não se limita a uma reflexão teológica ou doutrinária, mas se apresenta como um chamado urgente à ação concreta. O Papa convoca não só os católicos, mas todos os habitantes do planeta, a reconhecerem a gravidade da crise ambiental e a se comprometerem com a preservação da vida. Ele critica o consumismo desenfreado e o paradigma tecnocrático que explora os recursos naturais sem considerar suas consequências sociais e ambientais.

“A terra, nossa casa comum, parece se transformar cada vez mais em um imenso depósito de lixo” (LS 21), alerta o Papa Francisco na encíclica. E a crítica vai além: ele denuncia a injustiça social que perpetua a degradação ambiental, atingindo especialmente os mais pobres. No número 49, o Papa afirma que “a degradação ambiental e a degradação humana e ética estão intimamente ligadas”. Assim como São Francisco, o Papa propõe uma mudança radical na maneira como nos relacionamos com o meio ambiente, adotando uma postura de responsabilidade e cuidado.

Reflexos locais e globais

Em Londrina e região, iniciativas inspiradas na Laudato Si têm ganhado espaço. Projetos comunitários de agroecologia, hortas urbanas e práticas de coleta seletiva refletem essa busca por um estilo de vida mais sustentável e solidário. Além disso, movimentos sociais e grupos religiosos têm promovido debates e reflexões sobre como conciliar fé e ecologia no cotidiano.

Na perspectiva global, a encíclica tem sido referência para conferências internacionais, como a COP 21 em Paris, onde líderes mundiais se comprometeram com a redução de emissões de gases do efeito estufa. Dez anos depois, a mensagem de cuidado com a criação permanece atual e necessária, especialmente às vésperas da COP 30.

Um convite à conversão ecológica

O chamado à conversão ecológica, central na Laudato Si, ecoa o espírito de Francisco de Assis: abandonar a lógica do domínio e abraçar a lógica do cuidado. O Papa Francisco convida cada um de nós a refletir sobre nossas escolhas e a agir localmente para impactar globalmente. Afinal, a mudança começa em pequenos gestos que, somados, transformam realidades.

Professor Renato Munhoz

Francisco de Roma seguiu os passos de Francisco de Assis, que tinha uma espiritualidade ecológica. No Laudato Si, o papa faz uma convocação global para uma maior consciência ecológica

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.

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