Rede social vai excluir postagens e grupos responsáveis pela queda acentuada na imunização em todo o território nacional
Telma Elorza
Equipe O LONDRINENSE
Basta pesquisar um pouco e você vai encontrar no Facebook vários grupos – alguns até com mais de 12 mil participantes – contrários às vacinas. O movimento antivacinação vem crescendo no mundo todo, acompanhado por ondas de notícias falsas, as fake news.
O fato vem preocupando as autoridades mundiais, que até o Facebook anunciou, na última sexta-feira (15), a retirada de publicações antivacinação, além de proibir a divulgações que possam colocar em risco a saúde pública. Isso foi notícia nos Estados Unidos e Europa, que sofrem com a desinformação em níveis alarmantes.
O problema das fake news sobre as vacinas é tão sério que, no início de fevereiro, Centro Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (CIIC) vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgou um comunicado alertando que a vacina HPV é segura e indispensável para eliminar o câncer de colo do útero.
O HPV é uma doença transmitida pelo papiloma, vírus humano que causa cânceres e verrugas genitais, atingindo meninos e meninas. A vacina só é administrada na adolescência, daí a importância da conscientização.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, dos 5.570 municípios brasileiros, 2.751 (49%) não atingiram a meta de cobertura contra o sarampo, que deve ser igual ou maior que 95%. Segundo o Ministério, é preciso ampliar a imunização contra doenças que que haviam sido eliminadas ou erradicadas, mas que voltaram a circular no país.
Entre fevereiro de 2018 e 21 de janeiro deste ano, foram confirmados 10.302 casos de sarampo no Brasil. Permanecem em investigação 50 casos nos estados de Roraima, do Amazonas e do Pará, sendo 33 notificados pelos estados em janeiro e início de fevereiro deste ano.
Londrina também é afetada – Em Londrina, a situação não é diferente. Segundo o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, nos últimos anos está se observando uma movimentação muito grande antivacina por parte de alguns segmentos da sociedade e isso é um grande dificultador para se cumprir as metas de vacinação.
“Muitas dessas famílias, mães e pais, que são contra a vacinação, acabaram não convivendo com doenças de outras décadas – como pólio, varicela e o próprio sarampo – e as consequências gravíssimas que elas trazem para a população. Então, isso complica muito o trabalho”, explica.
Em relação ao risco de reinserção dessas doenças, o secretário diz que é alto. “Aqui, em Londrina, não tivemos ainda nenhum caso de sarampo nem de pólio. Mas o vírus do sarampo está circulando no Brasil, em várias regiões do país, principalmente Norte e Nordeste”, explica. Basta uma pessoa infectada vir para o Sul para que a doença se espalhe por aqui também”, diz
Na última campanha de vacinação em massa, em Londrina, ocorrida em agosto do ano passado, os índices ficaram abaixo da meta, de 95%. Foram vacinados: Sarampo 92 %, Poliomielite 92% e Gripe 91,67 %. “Pode parecer pouca diferença da meta mas representa um número significativo de crianças”, explica Machado.
Vacinação cessou a varíola – A varíola foi a primeira doença infecciosa extinta pela vacinação preventiva. Há quase 40 anos, em 1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou sua erradicação no mundo todo, um feito que pode ser considerado como o mais importante da virologia humana.
Transmitida pelo Orthopoxvírus variolae, só foi possível porque a doença basicamente só infectava humanos. No entanto, o vírus ainda existe, conservado em alguns laboratórios dos Estados Unidos e Rússia. O que é extremamente preocupante.

