Por Ana Paula Barcellos
Acontece: você acorda, olha pras peças que tem dentro do guarda-roupa, escolhe a primeira que vê ou a que está mais fácil de pegar, nem pensa muito; finaliza com meia de academia e All Star, faz aquele coque baixo que resolve tudo, pega a bolsa, as chaves e sai pra labuta do dia. Quem nunca?
Essa fui eu ontem, de manhã cedo. O despertador tocou às 5h45, como sempre, mas parecia que ainda faltava dormir muito para eu conseguir levantar! E que arrependimento colocar a música que a gente gosta como alarme, né?
Mal abri os olhos, mal lavei o rosto… e fiz isso, literalmente: peguei a primeira blusa (uma blusinha que eu gosto muito, vai), o jeans mais confortável que eu tenho (calça com muito elastano, confortável, cintura alta, skinny), meias de academia neon (confortáveis e não iam aparecer, tô perdoada) e meus tênis surrados e meio sujinhos que nem dá mais pra dizer que é estilo porque, afinal de contas, é assim que se usa All Star. Tanto que voltei pra casa e foram direto pro tanque, he.
Deixei minha filha na escola e, parada, esperando o sinal fechar para atravessar a rua, me peguei analisando e criticando minha escolha nada fashion: caramba, Ana Paula, você já foi melhor! Não tava feio, longe disso, mas tava confortável demais, se é que vocês me entendem, muito dentro da zona de conforto.
Não tinha a pitada ousada que sempre coloco nos meus looks (mesmo os confortáveis), não tinha um toque de cor, não tinha um ponto focal, não tinha nada, não tinha eu ali! O ponto alto era um brinco de caveira (argolinha com pendente de pedra, da minha parceria com a Ângela), nunca usado, que me forcei a estrear (ando com birra de guardar coisas que gosto, mas não uso).

Fiquei pensando no meu guarda-roupa sem graça, nas peças que não me fazem mais sorrir, nas combinações óbvias, nos coordenados sem pensar. Passei um tempo olhando pras minhas roupas, repensando tudo. Pensando em como ele está um tanto tedioso!
Então fui para a padaria. E, entre sonhos e bombas, brigadeiros e bolachinhas, escolhi uma tortinha de limão – deliciosa, aliás! E, por incrível que pareça, me dei conta, enquanto caminhava e comia, que na verdade o tédio estava em mim. Me faltava uma tortinha de limão bem parruda, como aquela! Cheguei em casa, coloquei uma música legal, bem alta, e comecei a tirar tudo e a re-combinar. Porque de manhã cedinho dá preguiça, mas entre um texto e o almoço é possível!
Parei antes do sinal da escola tocar. No fim, já tinha nove novas combinações de roupas confortáveis, mas muito mais legais, muito mais eu, com todos os toques que faltavam antes! Me faz bem esse exercício, tem a ver com cuidar de mim mesma, de olhar para o que eu gosto e não me deixar esquecer do que me alegra. O tipo de coisa simples, mas que faz toda diferença.

Acolhi meu tédio ontem, mas não deixei que ele me engolisse. Tem dia que a gente tem preguiça mesmo e não está afim, tudo bem. Mas é legal lembrar que, muitas vezes, não tá faltando roupa, elas não estão feias… só falta a gente olhar pra elas com outros olhos e, então, re-combinar!
Notinha: não me esqueci que tô devendo aquele garimpo, alô Maeve!, semana que vem tô aí pra ver ao vivo todas essas coisas lindas que você tem postado no Insta!

Ana Paula Barcellos
Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate.
Foto principal: Filme “As Patricinhas de Beverly Hills”

Uma resposta
Alooooo querida! Estamos aqui para o tédio não tomar conta….. bueno…. A não ser que seja estritamente necessário!!!!