Adolescência: uma fase complicada desde as antigas civilizações

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O que você fazia aos 13 anos de idade? Essa foi a pergunta do título de uma das reportagens sobre Rayssa Leal, que se tornou a mais jovem medalhista olímpica brasileira de toda a história ao conquistar a prata no skate street, em Tóquio, na semana passada. Isso só foi possível porque a modalidade foi incorporada nas Olimpíadas. No degrau de cima, outra menina de 13 anos: a japonesa Momiji Nishiya levou o ouro. Mas, a brasileirinha, ainda de aparelho nos dentes, tornou-se um dos assuntos mais comentados no país. E me fez pensar: qual o papel dos adolescentes em nossas sociedades?

Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente considera que, a partir dos 12 anos já se pode considerar como adolescente. Uma fase transitória, cheia de mistérios, dúvidas e intensidade. O conceito de adolescente, entretanto, é muito recente diante do tempo da história da humanidade. Faz pouco mais de 100 anos que o termo latino adolescere, que significa crescer, passou a ser sinônimo de um estágio do desenvolvimento humano. E ao longo da história, como eram vistos os adolescentes?

No Egito Antigo, a linha divisória entre a infância e a idade adulta era muito tênue, marcada pelo momento em que a criança se casava ou tinha forças para trabalhar, independentemente da idade numérica. Na Grécia Antiga, eles eram adestrados a fim de aprender virtudes cívicas e militares, passando a ter direito à fala em assembleias no ágora (praça pública) ou no areópago (espécie de tribunal). Atividades esportivas, guerra, política ou filosofia eram as mais comuns nessa idade.

No Império Romano, a educação dos adolescentes se dava com o objetivo de formar agricultores, cidadãos ou guerreiros, mais ou menos o que estabeleceu o filósofo grego Platão em sua teoria das almas. Mas, era por volta dos 14 anos que abandonavam as roupas infantis. Na Idade Média, as crianças e adolescentes eram considerados adultos em miniatura. Eram tratados dessa maneira, inclusive nas vestimentas. A única diferença estava no tempo de desenvolvimento dos aspectos físicos e mentais. Tão logo fosse possível, aprendiam um ofício. E, aos 12 anos, já estavam aptos a se casarem.

Por isso, a realidade de adolescentes como Rayssa, hoje, é muito diferente. Há, todavia, algumas semelhanças. Embora a adolescência tenha sido estabelecida, a partir da Idade Moderna, como uma fase da vida, muitos ainda têm precocidades em seu desenvolvimento. Seja nas questões sexuais (início da vida afetiva, perda da virgindade, etc.), seja em questões profissionais. Apesar de o trabalho infantil ser classificado como errado e até crime, treinar para ser campeã olímpica de street skate não deixa de sê-lo. Nem, tampouco, de ser uma precocidade.

De qualquer forma, hoje em dia é possível entender e compreender que a adolescência requer uma série de cuidados e que os adolescentes necessitam ser tratados como tais, mesmo quando seja necessário potencializar talentos como o de Rayssa. E você? O que acha dessa fase?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Breno Barros/rededoesporte.gov.br

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