A primeira artista que vi de perto em minha vida, foi a atriz e diretora Irene Ravache. Já tinha visto outras celebridades antes, mas nunca tinha conversado com nenhuma. A peça era “Uma mulher de negócios“ e o ano era 1981.
Tinha 20 anos na época e ainda sem saber qual faculdade cursar – mas já de olho no jornalismo – um dia bati na porta d’O Imparcial , centenário periódico de Araraquara, no interior de São Paulo. Tive a sorte de falar direto com o proprietário. Ganhei estágio na editoria de cultura do jornal. E fui com o equipe ver a peça e entrevistar a artista.
Anos depois, contei essa história para ela, depois de assistir ao espetáculo “Uma relação tão delicada”, dirigida pelo meu querido amigo William Pereira. Oriundo do grupo londrinense Proteu, o diretor montou a peça em 1989, ano em que morei em São Paulo. E claro que tive acesso aos bastidores. Ela foi uma querida. E certamente é uma das mulheres mais bonitas que já vi.
Ao longo de mais de 30 anos de jornalismo, é claro que já cruzei com várias celebridades. Tive o privilégio, por exemplo, de falar com o oceanógrafo e pesquisador Jacques-Ives Costeau, quando inaugurou a Universidade Livre do Meio Ambiente, em Curitiba.
Também entrevistei o apresentador Cid Moreira, o cantor Milton Nascimento, as atrizes Fernanda Montenegro e Bibi Ferreira, só para citar alguns exemplos. Não tenho foto com nenhum deles. Nem autógrafos.
Se por um lado vi famosos, como o maravilhoso Paulo Autran me ceder a cadeira dele para eu me sentar em uma coletiva de imprensa, também já vi muitos famosos serem mal educados e inconvenientes. E alguns passarem vergonha no frente de todo mundo.
Certa vez, em um desfile de uma famosa joalheria curitibana, uma atriz global sugeriu ao dono da rede que lhe desse o colar que desfilou de presente. Recebeu como resposta que seu cachê era suficiente para comprá-lo. Mas o famoso que mais me indignou foi um diretor de cinema e colunista, também da Globo, que em vez de conversar com a imprensa , se limitou a ficar cantando duas fãs. Voltei sem a matéria. E toda vez que vejo a figura na televisão, mudo de canal.
Mas o mais gostoso mesmo, é ver amigo ficar famoso. E olha, tenho tantos que não vou citar nomes para não parecer exibida. São atores, diretores, roteiristas, chargistas, cantores, enfim, bambas no que fazem. Com esses sim tenho fotos, histórias, carinho e muito orgulho.
Raquel Santana

Já foi jornalista, acha que é fotógrafa, mas nesses tempos de Covid-19 ela só quer sombra e água fresca no aconchego do seu lar. Vendo seriados, óbvio!
Foto: Cena do espetáculo Uma Relação Tão Delicada/Divulgação

