O desafio das relações líquidas no mundo moderno: nadar contra a maré

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“Vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar” (Zigmund Bauman, filósofo polonês)

Queridinho da contemporaneidade, o filósofo polonês Zigmund Bauman (1925-2017) nada mais diz que verdades, um retrato do mundo em que vivemos. Sua famosa analogia compara a vida, as amizades, o amor e os relacionamentos ao líquido, no sentido de que nada permanece, mas tudo passa. Faça uma experiência: vá até a torneira mais próxima, feche as mãos em forma de concha e deixe a água escorrer. Você consegue reter toda a água? Obviamente não. Daí vem a sua principal teoria: a modernidade líquida

É assim com as nossas relações interpessoais: nada é feito para durar. Não existem raízes. Tudo muda muito rápido. É, na realidade, um mundo inconstante recheado de incertezas. O que, naturalmente, potencializa as frustrações e ansiedades, tão características da vida moderna. E sabe por que essa teoria é tão popular? Pelo simples fato de que ela se encaixa em todos os aspectos da vida contemporânea: no culto ao corpo, no desejo de enriquecer, no exercício de idolatrar pessoas e celebridades, e nos relacionamentos afetivos, de amizade ou amorosos.

Na prática, é cada um por si. O modo como estamos vivendo hoje vem carregado de um individualismo muito forte. Por isso temos tantos conflitos: nos condomínios onde moramos, na rua, no trânsito, na escola, no trabalho. Porque cada um está interessado em obter sua própria satisfação, às vezes ao custo da vantagem pessoal sobre os outros. Outras não, mas, sobretudo, com foco no particular. Nunca no coletivo.

Daí a impressão de que todos somos descartáveis. Enquanto servimos, estamos e somos correspondidos. A partir do momento que não prestamos mais ao interesse alheio é que somos jogados fora, como se não tivéssemos uma história ou um currículo. Não é assim no mundo empresarial? E se você for observar bem, ocorre desse jeito no universo dos relacionamentos, embora com menos frequência e intensidade. O desafio que nos traz o mundo moderno e contemporâneo é justamente nadar contra essa maré. Conseguimos?

Foto: Pixabay

Fábio Luporini


Sou jornalista formado pela 
Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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