O que você imagina de imediato se eu falo de um (ou uma) idoso (ou idosa) de 94 anos de idade? Salvo maior engano, a maioria dos que estão lendo este texto vai pensar em um ser fraquinho, debilzinho, carregado de doenças, cheio de remédios, já meio gagá, etc.
Saibamos nós que esta já não é mais uma conclusão com 100% de acertividade. Não tenha mais tanta certeza da fragilidade de um idoso de mais de 90 anos, como estamos acostumados a pensar.
A medida da fragilidade de um idoso hoje, e cada vez mais daqui para frente, não se pauta pela sua idade. A idade é um fator que interfere no aumento da vulnerabilidade da pessoa, mas ela isoladamente ou como parâmetro principal já não diz mais tanto assim. É claro que na medida em que envelhecemos, diminui nossas reservas fisiológicas e nossa capacidade de reagir às barreiras e intercorrências da vida.
Por exemplo: um idoso tem menos capacidade cardiopulmonar que um jovem. Uma idosa já na pós-menopausa vai ter ossos mais fracos e mais sujeitos à fratura do que uma mulher jovem. Porém, coloque um idoso que faça atividades físicas aeróbica e de fortalecimento muscular regularmente para correr com um homem mais jovem, porém sedentário… Faça densitometria óssea de uma idosa que trabalhou preventivamente o risco de osteoporose… E vamos constatar que ainda que tenham diferenças em relação aos mais jovens, conservam um estado funcional que ficam muito pouco a dever aos mais jovens. Este é o idoso que nós chamamos de “Robusto”. Idoso robusto.
Porém, idoso robusto não é só aquele que faz atividade física – que já o coloca numa outra condição: a do idoso robusto “atlético” (que é a velhice que eu desejo par mim e pra você) – mas, aquele idoso que, mesmo tendo alguma doença crônica (como hipertensão e/ou diabetes controladas), tem total autonomia e independência para tocar sua vida. Não depende de ninguém para fazer as suas coisas: faz pequenos serviços domésticos ou externos, vai ao banco, controla seu dinheiro, passeia, namora (se for o caso), viaja, dança, escreve no computador (ou de caneta e papel, por que não?), lê livros, vai à sua igreja, tem grupos de amigos… Enfim vive por conta de seu próprio nariz…
Portanto, amigos, ser saudável na velhice, mais do que não ter doenças, é ter autonomia (capacidade de tomar decisões por conta própria) e ter independência (capacidade de executar, por seus próprios meios, aquilo que decide). E, a boa notícia: nós podemos escolher de que forma queremos envelhecer… (bem, aí já é assunto para um outro dia).
Ah, sim. E nunca se esqueça: velhice não é doença!
Foto: VisualHunt
Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região. Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

