Sombras: quais as correntes que nos impedem de ver a realidade?

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“Os seres humanos tem uma visão distorcida da realidade” (Platão, filósofo grego)

Imagine a cena: os homens, desde que nasceram, estão acorrentados no interior de uma caverna, com o olhar voltado para uma parede iluminada pela luz de uma fogueira. É ali onde são projetadas imagens de animais, árvores e outros objetos, os quais se consideram como sendo a própria realidade. Até que um dia, um dos prisioneiros se liberta das amarras e faz o caminho inverso, saindo da caverna e se deparando com o mundo externo, iluminado pelo sol. Está se familiarizando com a narrativa?

Somente fora da caverna é que ele percebe que passou a vida acreditando que sombras eram a verdade. E se maravilha com a natureza, com os animais, com tudo o que vê. Quer, portanto, contar aos amigos imediatamente, mas é ridicularizado. Porque os colegas só acreditam na realidade que conseguem enxergar. Esta alegoria, conhecida como Mito da Caverna, foi narrada pelo filósofo grego Platão (428/427 a.C. – 348/347 a.C.) para mostrar que a filosofia é um dos caminhos que tiram o homem da sua ignorância.

E hoje? Em quais cavernas estamos enfiados sem conseguir perceber a realidade que nos cerca? Temos acesso a uma infinidade de informações, teorias e ideologias, mas ao mesmo tempo estamos fechados numa única visão de mundo. Algumas dessas cavernas podem ser as redes sociais, mais especificamente o WhatsApp, através do qual muita gente se informa, ignorantemente crendo ser a verdade absoluta. Damos o nome de fake news, certo?

Outras correntes que nos prende no interior da caverna são as teses, teorias, ideologias, principalmente políticas, que nos moldam a uma visão singular da realidade, desconsiderando o diverso, o diferente, o plural. Tem gente que faz isso por ignorância mesmo. Outros, de propósito. Ou ainda os costumes e hábitos familiares, que reproduzimos sem questionar e sem quebrar o ciclo por vezes ignorante de fazer sem saber a razão pela qual estamos fazendo.

O que falta para nos libertarmos? Pouco. Falta esforço, falta vontade, falta dar o primeiro passo. É difícil largar as correntes às quais estamos confortáveis. Entretanto, quanto mais demoramos a fazê-lo, mais vergonha teremos de ter passado tanto tempo crendo em sombras.

Foto: ImAges ImprObables on Visualhunt

Fábio Luporini


Sou jornalista formado pela 
Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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