“Só sei que nada sei” (Sócrates, 469 a.C. a 399 a.C.)

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A frase, repetida inúmeras vezes para indicar que não sabemos nada sobre determinado assunto, corriqueiro que seja, revela muito mais filosofia do que imaginamos. Aliás, é filosofia pura. Dita pelo grego Sócrates, considerado o pai da filosofia não porque foi o primeiro, mas porque foi o mais importante filósofo de todos os tempos, esconde por trás de si um pensamento complexo. E que mudou os rumos do pensamento ocidental.

É prepotência crer que sabemos de tudo. Ou de alguma coisa, por mais simples que seja. Na realidade, quando olhamos para dentro de nós mesmos, descobrimos a verdade: que não sabemos de nada. Ou que pouco sabemos. E, assim, estaremos sempre no movimento de buscar e encontrar respostas para as pequenas e grandes questões da vida, da humanidade. Era assim que Sócrates orientava seus discípulos: reconhecer a ignorância para se tornar sábio.

Algo de que necessitamos hoje em dia. Tem muita gente achando que sabe muito, quando na realidade sabe de nada. São os especialistas sobre tudo aos montes nas redes sociais. E não é que o mundo precise de gente ignorante. Ao contrário, necessita de gente humilde para reconhecer que não somos melhores que ninguém.

E vai ser assim, nesta coluna que já circulou pelo Instagram e no extinto Portal Duo: mostrar que a filosofia e as discussões filosóficas estão muito mais próximas da nossa realidade do que imaginamos. E desmistificar a ideia de que a filosofia é algo, além de distante, chata. Ao contrário, é necessária e fundamental para entendermos e compreendermos o mundo e as questões que nos rodeiam. Mundo que seria bem melhor se todos estivéssemos abertos a acolher o pensamento diferente.

Não por acaso Sócrates foi acusado de corromper a juventude. Disseram ser crime o que fazia. E nada mais fazia que levar os jovens e adolescentes da época ao encontro de si mesmos, da verdade, das respostas às perguntas. E hoje, do que seremos acusados nós, filósofos e pensadores. A resposta já está pronta há mais de 2 mil anos: “só sei que nada sei”.

Fábio Luporini


Sou jornalista formado pela
Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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