A culpa é sua, sim, motorista!

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Imprudência continua sendo a principal causa de acidentes de trânsito em Londrina. Cruzamentos das ruas Belo Horizonte, Santos e Paranaguá formam pontos críticos, na área central

Juliana Nunes

Equipe O LONDRINENSE

Os números assustam. Em 2018, foram registrados 3.471 acidentes de trânsito Londrina, de acordo com os atendimentos feitos pelo SIATE. Ao todo, foram 4.049 vítimas e 81 óbitos, conforme dados da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que disponibilizou um mapeamento com registros – somente da área central da cidade –, onde é possível constatar a situação alarmante.

Os acidentes acontecem por toda a cidade, com destaques para os principais corredores como Avenidas Brasília, Tiradentes, Rio Branco, Dez de Dezembro, Maringá, Saul Elkind, Avenida das Torres, São João, Leste-Oeste, além das Ruas Goiás, Guaporé, Souza Naves, entre outros pontos. Dessa forma, entende-se que a fiscalização precisa abranger toda a malha urbana, independentemente da hierarquia viária.


Mapeamento de acidentes de trânsito registrados em 2018 (Área central)

O diretor de Trânsito da CMTU, Pedro Ramos, afirma que todos os locais onde há fiscalização eletrônica são devidamente sinalizados. “Não há qualquer tipo de `pegadinha´ que possa induzir o condutor a praticar a infração. Dessa forma, se houver o respeito à legislação não haverá qualquer tipo de autuação”, reforça.

Os cruzamentos das ruas Belo Horizonte, Santos e Paranaguá formam pontos críticos e são alvos de diversas reclamações de moradores e comerciantes daquela região.

Porteiro há 25 anos de um prédio na rua Alagoas, Geraldo Rodrigues Pereira também demonstra sua indignação. “A cidade cresceu, mas as pessoas parecem não se preocupar com o respeito ao trânsito. Alguns motoristas aceleram e os acidentes acontecem”, lamenta.

O gaúcho Rodrigo de Rose Vasconcellos, publicitário, mora na região desde 2011. As experiências dele com o trânsito londrinense fizeram com que passasse a dirigir cada mais apreensivo. “Já vi de tudo nessas esquinas, até carro capotado. Quando vou para casa, passo buzinando no cruzamento das ruas Alagoas com Paranaguá, não importa o horário”, revela

Vasconcelos afirma ter enviado diversas reclamações à CMTU, porém, sem retorno até o momento. O publicitário acredita que a imprudência dos motoristas poderia ser atenuada com a instalação de redutores de velocidade. “Obstáculos físicos como um quebra-molas, por exemplo, obrigaria os condutores a pararem nos cruzamentos. É chato? É. Mas se o pessoal não aprende, tem que ser tratado como criança, infelizmente”, enfatiza.

Solução “amigável”

Anos atrás, um grave acidente foi registrado no cruzamento da Santos com a Pará. Um dos veículos envolvidos foi parar dentro de um restaurante e poderia ter causado vítimas – o estabelecimento costumava colocar mesas do lado externo.

Após o acidente, foi instalado um semáforo naquele local. Com a instalação do equipamento, as colisões “migraram” para outros cruzamentos.

O Londrinense ouviu relatos de batidas constantes, de menor gravidade, que não contaram com a presença de agentes de trânsito, resgate ou qualquer outro órgão fiscalizador no local. Sobre o assunto, a CMTU afirmou que é efetuado um levantamento pormenorizado dos acidentes em que ocorreram óbitos, juntamente com outros órgãos competentes.

No entanto, quanto aos acidentes sem vítimas fatais ainda não existe uma maneira de fiscalizar, se os envolvidos, ou testemunhas, não fizerem denúncia ou solicitação de socorro.

De acordo com o relato de um morador daquela região, que não quis ser identificado, são inúmeros os casos de motoristas que “resolvem” o ocorrido entre si, e “saem de fininho”, para não serem autuados: “Eu vejo direto motorista empurrando o carro estragado, ou fingindo estar só estacionado ali, quando passa um carro da polícia”, confidenciou.

Elaboração de estudo técnico

A CMTU é responsável pela implantação e manutenção de toda a sinalização do trânsito, sempre baseada em projetos de melhoria elaborados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina, o IPPUL.

De acordo com o Diretor de Trânsito, Pedro Ramos, está sendo realizado um estudo técnico em locais com elevados números de acidente. O intuito é analisar a viabilidade ou não da implantação de novos equipamentos eletrônicos para fiscalização.

 “Esperamos concluir o mais rápido possível, colocando em funcionamento os novos radares (permanentes ou móveis), para que, com isso, possamos reduzir o número de acidentes com vítimas em nossa cidade”, diz Ramos.

Ainda segundo ele, no ano passado foram sinalizados 119 mil metros quadrados de vias em todas as regiões da cidade, o que teria contribuído para a redução dos acidentes em 6%, além da diminuição de vítimas e óbitos em 8% em relação a 2017.

Fotos: Divulgação

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Uma resposta

  1. Trânsito de Londrina é complicado. O apressado quer ser esperto, põe a culpa no outro motorista, que está correto, pelo seu atraso.

    Além dos que bancam os espertos, tem os que não sinalizam com as setas (ou braços). Motos que ultrapassam por qualquer espaço. Moto é caso à parte, o motociclista, um dos mais frágeis elementos do trânsito é o que mais abusa da “sorte”, ou de seu reflexo (e dos outros).

    Além da parte educativa, não entendo a CMTU manter algumas “rotatórias”, como por exemplo a que existe no início da Avenida Salgado Filho. É um espaço tão pequeno que é impossível fazê-la da forma correta.

    Um dos problemas da CMTU, imagino, é fazer uma avaliação dos pontos de maior ocorrência de acidentes, pois quando o motorista vislumbra a farda característica, se lembra até de colocar o cinto! Deveriam fazer à paisana. #ficaadica

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