“Desde de criança, sou indeciso. Não consigo me definir como homossexual porque também sinto atração por mulheres. Sinto a cobrança dos meus amigos, heteros e homos, para tomar uma posição. Gostaria que aceitassem mas a bissexualidade é mal vista até dentro do movimento LGBT. O que fazer?”
Caro amigo, você não é indeciso. Indeciso é quando não sabe se escolhe chocolate ou pudim de sobremesa. Você é bissexual. É comum as pessoas questionarem a própria orientação sexual, principalmente em casos de bissexualidade. Porque há dúvidas, preconceitos e definições erradas que dificultam no entendimento da própria sexualidade. Mas é preciso saber que não há regras a serem seguidas. Cada pessoa deve ser livre para vivê-la de maneira que a faça mais feliz, seja em uma relação com homem ou com mulher.
A definição mais usual é que o(a) bissexual é a pessoa que sente atração, tem desejos e estabelece relações sexuais com ambos os gêneros. Uma definição mais atualizada é a pessoa que sente atração por todos os gêneros, cys ou trans. Não ao mesmo tempo, claro. Mas, o que se precisa entender que não é só “uma questão de fase”. O bissexual sempre vai sentir atração pelos outros gêneros, não é que “não se definiu ainda”. Pode estabelecer relações profundas, emocionais como qualquer pessoa e até casar com um ou outro gênero. E permanecer casado e feliz. Ou casar com um, separar e casar com outro. Sem problemas. Tenho um amigo bi que foi casado anos com uma mulher e só se separaram por conta de desentendimentos de qualquer casamento “normal”. E ele não descarta outro casamento.
Já outro amigo bi que também reclama da “falta de visibilidade” dos bissexuais dentro do movimento LGBTQ+ (embora a sigla contemple a Bissexualidade). Segundo ele, há preconceito dentro do próprio movimento, “por essa visão deturpada de que ficamos em cima do muro, de que só somos modinha”. “E, por isso, muita gente deixa de se assumir bissexual”, afirma.
Uma coisa que as pessoas aprender, e logo, é que ninguém se escolhe bi “para ter mais opções” de relacionamento. Nasce-se bissexual como nasce-se hetero, homo ou pansexual. Se fosse uma questão de escolha, a vida poderia ser bem mais fácil para todo mundo. O que é preciso fazer é aceitar e não ficar ouvindo opiniões dos outros. Ser feliz com sua sexualidade, seja ela qual for. Se não consegue, talvez seja o caso de procurar ajuda de um psicólogo. Mas para aprender a se aceitar, não para buscar cura. Porque isso não existe já que, assim como a homossexualidade, a bissexualidade não é doença.
Mande suas dúvidas e sugestões para telma@olondrinense.com.br
Foto: Pixabay

Telma Elorza
Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

