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Tenho medo de fazer sexo. Me ajuda?

Por Telma Elorza

“Tenho 20 anos e sou virgem. Já perdi namorados que amava porque não queria ter relações sexuais. Morro de medo da relação em si, de doer, de não saber o que fazer. Até tentei me forçar uma vez, mas chorei muito e não completamos a relação. O que faço? Pode me ajudar?”

A leitora não deu muitos detalhes sobre sua vida para que eu possa ter um quadro mais completo. Não disse, por exemplo, se sofreu algum trauma ou abuso sexual na infância, se costuma se masturbar ou não, se vem de uma família religiosa. Apenas relatou o medo e a dificuldade de fazer sexo. Isso não dá muito espaço para dar conselhos, mas vamos tentar ajudar de alguma forma.

O ideal seria que ela procurasse ajuda de especialistas, como psicólogos ou sexólogos. Só eles podem fazer um diagnóstico completo. Principalmente se o medo é resultante de um trauma de infância . Às vezes, crianças flagram os pais fazendo sexo mais agressivo consensual (ou não, infelizmente há disso em alguns casamentos) e isso pode gerar um medo profundo, porque não entende exatamente o que é aquilo. Principalmente se os pais não costumam normalizar o sexo entre o casal. Também pode ser resultado de um abuso sofrido e que foi “apagado” da memória. Isso acontece, principalmente quando a criança é muito nova. Enfim, o negócio é buscar mesmo ajuda de especialistas. Se não houve nada mais grave e o medo é resultante de uma formação religiosa rígida, a psicologia também pode ajudar.

Mas se é por apenas temer o “desconhecido” e de falhar como sexualmente como mulher, na cama, aí é outra história. Aí eu posso ajudar. Então vamos lá.

Lakshmana Temple – Foto: VisualHunt

Primeiro, é preciso passar a encarar o sexo como algo natural. Sexo é bom, faz bem para o corpo e melhora a pele. Sim, não é piada. Os benefícios da atividade sexual sobre sistemas corporais como o cardiovascular, o neurológico e o imunológico estão demonstrados na literatura científica. O orgasmo, por exemplo, libera substâncias como a endorfina e a ocitocina que, somadas, são capazes de aplacar dores de cabeça e das juntas. A desculpa da dor de cabeça para fugir da relação dançou. Além disso, uma boa sessão de sexo alivia o stress e ajuda a dormir. Aliás, uma relação bem feita equivale a uma caminhada um pouco mais forçada de 7,5 km. Tudo isso documentado, pode ir procurar. Sem contar que melhora nossa autoestima, né?

O segundo e definitivo passo é começar a conhecer o próprio corpo. Sim, se tocar, se masturbar, descobrir o que gosta e o que lhe excita, lhe deixa ardendo de tesão. Com as mãos e com brinquedinhos. E com eles, no auge do tesão, tentar a penetração. Não se preocupe com sua virgindade, porque não é a presença de hímen que faz uma pessoa ser virgem. O conceito de virgindade mudou muito, principalmente porque o hímen pode ser rompido sem haja sexo, em várias situações cotidianas. Virgindade tem mais a ver com o fato de nunca ter feito sexo (vaginal, oral, manual ou anal) com um parceiro, do que a presença de uma membrana sem utilidade nenhuma.

Conhecendo seu corpo, sabendo do que gosta, do que precisa para ter um orgasmo, fica mais fácil encarar uma relação a dois. A pessoa se sente mais segura de si e pode ajudar o parceiro a lhe dar prazer.

No entanto, mesmo depois de conhecer o seu corpo, nunca faça sexo só porque o namorado diz “dá ou desce”, exigindo sexo como forma de manter o namoro. Só entre numa relação sexual se você estiver a fim, nunca para agradar alguém. Se não quiser, não achar que está preparada, não faça. Simples assim.

Tem dúvida sobre sexo? Mande sua pergunta para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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