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O pai do meu namorado o fez transar com prostituta e estou com nojo

Por Telma Elorza

“Tenho 15 anos, namoro um rapaz da mesma idade há oito meses, e nossos encontros sempre foram muito bons, excitantes. A gente ‘brinca’ um pouco, mas ainda não chegamos a transar. Já conversamos sobre isso e ele não me pressiona. Só que descobri que o pai dele o levou para fazer sexo com uma prostituta e, agora, peguei nojo dele, não consigo nem beijá-lo mais. Eu o amo e não sei o que fazer. Me ajuda?”

Nossa, que situação a leitora vive. O machismo do pai prejudicou uma relação que poderia se desenvolver sozinha, sem traumas e medo. Dois adolescentes apaixonados, vivendo as primeiras experiências amorosa e sexual, deveriam ter a oportunidade de decidirem dar o passo seguinte sozinhos. Mas, claro, onde já se viu um rapaz ter a primeira experiência com a namorada (a frase contém ironia nível hard)?

Eu ainda me surpreendo que, em pleno século 21, alguns pais ainda acreditam que fazem o melhor para o filho levando-os até prostitutas. Será mesmo? Que tipo de coisa deve ter passado pela cabeça desse menino? Que tipo de coisa ele “aprendeu” com a mulher? Que tipo de trauma vai carregar para o resto da vida? E a menina? Perdeu a confiança no namorado e ganhou nojo. Eu, sinceramente, não sei se ela conseguirá superar o episódio.

Não estou desmerecendo prostituição. Acho, inclusive, que tem uma função social. Nisso me identifico com Pascal Bruckner, nesse artigo da Época, publicado em 2014. No entanto, acredito sempre no poder na escolha. O homem (ou mulher) deve escolher se quer ou não ter sexo pago. Não ser arrastado para uma primeira experiência do tipo. Isso é uma violência sem tamanho. Esse pai tirou a liberdade de escolha do próprio filho. Lógico que o filho poderia falar não. Mas que filho desafia o pai quando o presente é esse? Como dizer não para alguém que ama e confia? Pois é. Teria que ter muita maturidade e, me parece, que não foi o caso.

O que poderia ter sido uma experiência linda de descoberta de ambas as parte, virou um dramalhão mexicano. Se fosse um casal com mais experiências, eu sugeriria que procurassem uma terapia de casal para resolver as coisas mais facilmente. No entanto, estamos lidando com dois adolescentes descobrindo a vida, com todas as inseguranças, medos e desafios próprios da idade. Ou seja, é um caldeirão em ebulição. Não precisavam de mais essa.

Para a leitora que pediu ajuda, eu sugiro que converse com o namorado. Expor o que está sentindo pode ajudar a se entender melhor. Ouvir também é bom. Quem sabe conseguem se entender e o nojo passe? Quem sabe.

Tem dúvidas sobre sexo? Escreva para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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