Com a pandemia, me viciei em sexo por telefone

TIATELMA (2)

Por Telma Elorza

“Passei a pandemia praticamente sozinha. Meu noivo estava em outro país e não pudemos nos encontrar por quase dois anos. Matávamos a saudade com ligações telefônicas e vídeos chamadas. Foi um período de descobrimento para mim, porque ficava muito excitada quando fazíamos sexo por telefone, mais do que por vídeo. Nunca gozei tanto. Agora ele voltou e não estamos conseguindo nos sintonizar na cama. Não sinto a mesma excitação que sentia. E às vezes peço para ele ir para outro lugar da casa para ligar e falar o que vai fazer comigo. Só assim consigo gozar. Mas ele não está satisfeito com isso. O que faço?”

Já passaram vários casos diferentes por essa página, mas esse é realmente desafiador. Principalmente porque há pouca literatura em português sobre esse tipo de fetiche, que tem um nome: Erotolalia. A definição é “excitação sexual causada por ouvir ou falar palavras obscenas, sendo ao telefone ou não”. Segundo minhas pesquisas, a Erototalia só é considerada parafilia (distúrbios psíquicos que se caracterizam pela preferência ou obsessão por práticas sexuais que podem prejudicar outras pessoas sem o consentimento delas) em casos em que a pessoa liga para números desconhecidos para falar obscenidades.

Na minha humilde opinião, falar e ouvir sacanagens na hora do sexo é muito mais estimulante que uma trepada silenciosa, onde nenhum dos dois diz um “A”. Uma voz sussurrando coisas deliciosas no ouvido… afe! Ter fetiche por isso, querer ouvir palavrões e o que o(a) parceiro(a) vai fazer com você, não tem nada demais. No entanto, substituir a relação sexual totalmente por conversas sexuais ao telefone pode ser indício de um problema, principalmente porque está afetando uma relação que, segundo suponho, era “normal” (de perto nada é normal, fiquem tranquilos) pré-pandemia.

Sugiro que a leitora investigue esse “vício” em sexo por telefone com ajuda de um psicólogo. Principalmente para se entender melhor e o porquê de preferir o telefone a uma relação presencial com o parceiro, alguém que se ama e até ficou noiva, querendo construir uma vida a dois.

Na minha visão de leiga, a impressão que me passa é que o noivo talvez não seja mais tão atraente, para a leitora, quanto era quando estava fora. Talvez, durante esse tempo separados, tenha perdido o tesão pelo homem real e idealizado outro, que se comunica apenas por telefone. Será? Não sei, não sou psicóloga.

Mas que é um caso intrigante, que merece ser investigado pela própria felicidade da leitora, se quiser manter o noivado. Porque os dois precisam estar satisfeitos com a relação. Isso é princípio básico em qualquer relacionamento. E, digamos, nesta situação, apenas parceiros com o mesmo fetiche vão compreender sua preferência sexual.

Tem dúvidas? Mande sua pergunta para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.


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