Empatia Sustentável

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Por professor Renato Munhoz

Diversas tradições e culturas desenvolveram tamanha sensibilidade em relação ao Meio Ambiente que criou, em diversos povos, a capacidade de sentir a natureza.

Essas atitudes são demonstradas de diversas maneiras em diversos rituais. Um destes ritos é o costume de alguns pajés se prostrarem diante da terra e colocar os ouvidos no chão. Com o sentido de ouvir a mãe terra falar. Isso é um elemento sagrado. Saber ouvir os conselhos da mãe terra.

Outras tribos, muitas vezes antes da caça, fazem rituais de purificação pedindo autorização para poderem se alimentar dos animais caçados. De outro modo, em muitas roças, os aruanãs, os espíritos da floresta, estão presentes nas cantigas do trabalho e nas rezas feitas pelas mulheres ao prepararem as ramas de mandioca para o plantio.

Os antropólogos da atualidade ligados as questões ecológicas defendem a ideia da criação de uma cultura de retomada à ancestralidade. Compreender a ecologia com mesmo olhar e com a mesma vivência das comunidades originarias.

Fazer ecologia com os ouvidos, atento as vozes da natureza. As catástrofes naturais, os desastres e os impactos da mudança climática são gritos da mãe terra que vem nos alertando para a necessidade de mudança do nosso comportamento.

É preciso criar uma “empatia sustentável”, sentir o ambiente, criar uma capacidade de nos comover com as dores que o Ecossistema vem apresentando.

Empatia vem do “pathos” grego, que significa sentir paixão, sentir com o coração. Já é sabido que o ser humano, com sua imposição cultural ao longo da história, foi condenado a cosmovisão indígena, relacionando muitas vezes estes povos como “sem alma” quando, na verdade, era exatamente o inverso, nós “homens brancos” é que nos esvaziamos da alma e demos lugar aos interesses meramente materiais, calando a voz da terra e da vida que a natureza traz.

Uma nova cosmovisão, uma sensibilidade e um compromisso empático, sentir as dores daqueles que guardam o ambiente e se comprometer em proteger e tratar a terra como mãe. Como mantenedora da vida humana. Só assim a “sustentabilidade será sustentável”.

Professor Renato Munhoz

Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Foto: Montagem/Renato Munhoz

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