Por professor Renato Munhoz
Bem-vindos à nossa nova série especial no O LONDRINE̅NSE, dedicada à preparação para a COP 30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que será realizada em Belém, no Pará, de 10 a 21 de novembro de 2025. Como o Brasil sediará esse evento histórico pela primeira vez, vamos construir um diálogo acerca dos debates globais sobre o clima, destacando sua importância para o futuro do planeta e, especialmente, para nossa região. Nesta série, exploraremos temas como compromissos nacionais, impactos locais no Paraná e inovações sustentáveis. Começamos hoje com o básico: o que é uma conferência do clima, como ela é organizada e quais foram as principais contribuições das edições anteriores.
O que é uma Conferência do Clima?
As conferências do clima, conhecidas como COP (sigla em inglês para Conference of the Parties, ou Conferência das Partes), são os principais fóruns globais para discutir e combater as mudanças climáticas. Elas surgiram a partir da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), adotada em 1992 durante a Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro. A UNFCCC é um tratado internacional que reconhece a ameaça das mudanças climáticas causadas pela atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, e busca estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera.
A COP é o órgão supremo de decisão da UNFCCC, reunindo representantes de quase 200 países (as “Partes”) que ratificaram o tratado. Seu objetivo principal é avaliar o progresso no combate às mudanças climáticas, negociar acordos internacionais e adotar decisões que guiem ações globais. Além da COP principal, há reuniões paralelas como a CMP (Conferência das Partes servindo como Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto) e a CMA (para o Acordo de Paris). Essas conferências não são apenas encontros diplomáticos; elas envolvem cientistas, ativistas, empresas e sociedade civil, promovendo um diálogo multilateral para soluções coletivas.

Como se organiza uma Conferência do Clima?
A organização de uma COP é um processo complexo e colaborativo, que demanda anos de preparação e envolve múltiplos atores. Cada edição é hospedada por um país diferente, rotacionando entre regiões geográficas para garantir equidade – por exemplo, a COP 29 ocorreu em Baku, no Azerbaijão, e a COP 30 será no Brasil. O país anfitrião, em parceria com o secretariado da UNFCCC (sediado em Bonn, na Alemanha), é responsável pela logística, incluindo infraestrutura para milhares de participantes, segurança e eventos paralelos.
O processo começa com reuniões preparatórias ao longo do ano, como sessões subsidiárias em junho, onde negociadores técnicos discutem agendas e rascunhos de documentos. A conferência em si dura cerca de duas semanas e é dividida em fases: a primeira semana foca em negociações técnicas, com grupos de trabalho abordando temas como mitigação (redução de emissões), adaptação (preparação para impactos climáticos) e financiamento. A segunda semana é o “segmento de alto nível”, com a presença de chefes de Estado, ministros e líderes globais, culminando em decisões finais.
Participantes incluem delegações governamentais, observadores (ONGs, empresas, indígenas e jovens) e a mídia. As negociações são baseadas em consenso, o que pode ser desafiador, mas garante que todos os países – dos mais vulneráveis ilhas do Pacífico aos grandes emissores como China e EUA – tenham voz. Além das plenárias principais, há pavilhões temáticos, exposições e eventos laterais, como a “Zona Azul” (área oficial da ONU) e a “Zona Verde” (aberta ao público para debates e inovações).
Principais contribuições das conferências já realizadas
Desde a primeira COP, em 1995, em Berlim, essas conferências acumularam conquistas significativas, moldando a agenda global do clima. Aqui vão algumas das principais contribuições:
- COP 1 (1995, Berlim): Estabeleceu o “Mandato de Berlim”, que pavimentou o caminho para acordos vinculantes, reconhecendo que os esforços iniciais eram insuficientes.
- COP 3 (1997, Kyoto): Adotou o Protocolo de Kyoto, o primeiro tratado legalmente vinculante para redução de emissões de gases de efeito estufa por países desenvolvidos. Foi um marco ao introduzir mecanismos como o comércio de carbono.
- COP 11 (2005, Montreal): Garantiu a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto e avançou discussões sobre adaptação climática.
- COP 15 (2009, Copenhague): Embora controversa por não resultar em um acordo vinculante, levou ao Acordo de Copenhague, com compromissos voluntários de redução de emissões e a criação de um fundo verde para países em desenvolvimento.
- COP 21 (2015, Paris): O maior legado até hoje, o Acordo de Paris, que comprometeu os países a limitar o aquecimento global a bem abaixo de 2°C, preferencialmente 1,5°C, acima dos níveis pré-industriais. Introduziu as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), planos nacionais de ação climática revisados a cada cinco anos.
- COP 26 (2021, Glasgow): O Pacto Climático de Glasgow acelerou ações, incluindo a fase de redução do uso de carvão, regras para mercados de carbono e compromissos para dobrar o financiamento climático para adaptação.
- COP 27 (2022, Sharm El-Sheikh): Criou o Fundo de Perdas e Danos, para compensar países vulneráveis por impactos climáticos inevitáveis, como furacões e secas.
- COP 28 (2023, Dubai): Pela primeira vez, os países concordaram em “transitar para longe” dos combustíveis fósseis, triplicar as energias renováveis e duplicar a eficiência energética até 2030.
Essas conquistas não só reduziram emissões globais projetadas, mas também mobilizaram trilhões de dólares em investimentos sustentáveis e inspiraram movimentos como o Fridays for Future. No entanto, desafios persistem, como o cumprimento de metas e a justiça climática para nações em desenvolvimento.
Atividade pedagógica para sala de aula
Para encerrar este artigo e incentivar o engajamento educacional, propomos uma atividade pedagógica simples e impactante para ser realizada em salas de aula do ensino fundamental ou médio:
“Minha COP em Sala”.
- Os alunos, divididos em grupos representando diferentes países (como Brasil, EUA, Índia e uma nação insular vulnerável), pesquisam uma COP passada específica (por exemplo, a de Paris ou Kyoto) e debatem propostas para a COP 30.
- Cada grupo prepara um “plano nacional” com metas de redução de emissões, ideias de adaptação local (como preservação de rios no Paraná) e argumentos para financiamento internacional.
- A atividade culmina em uma “negociação simulada”, onde buscam consenso, promovendo habilidades de pesquisa, debate e empatia global. Professores podem usar recursos online gratuitos da UNFCCC para apoiar, tornando o clima um tema acessível e urgente para as novas gerações.
Fiquem ligados para o próximo artigo da série, onde discutiremos os compromissos do Brasil para a COP 30.
Professor Renato Munhoz

Educador, historiador, teólogo. Pós graduado em juventude gestão de programas e projetos sociais e educação ambiental.
Me siga no Instagram: @profrenatomunhoz
Leia as colunas sobre Sustentabilidade e Pensar Educação
(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINE̅NSE.

