Por professor Renato Munhoz
Estou dando uma pausa na série sobre os 17 ODS, até porque não podemos perder a oportunidade que o momento atual tem nos dado. As eleições serão as escolhas do futuro que desejamos.
É importante refletirmos sobre este momento, pois ele poderá definir o futuro do Brasil em diversos aspectos, sobretudo no que diz respeito a sustentabilidade. A escolha eleitoral é também a escolha sobre o modelo de gestão que os próximos governantes e legisladores vão fazer sobre o Meio Ambiente e sobre tudo que o cerca.
A pauta sustentável pode ser um bom termômetro de como é a visão de futuro dos candidatos. Pois sem programas efetivos, sem políticas públicas que dialoguem com o tema não haverá futuro plausível.
O Brasil vive um colapso ambiental, com recordes históricos de desmatamento e desmantelamento das políticas públicas ambientais. Neste rumo, já nos aproximamos da barbárie sustentável. Somos o país que mais mata os defensores da natureza, tanto os povos originários, quanto quem os defende. Hoje, o Brasil é o país que mais desmata a natureza em nome dos garimpos ilegais e da exportação desordenada de madeiras retiradas de forma irregular da floresta.
O desrespeito com os povos originários e seus territórios nunca esteve tão evidenciado. Com a invasão em áreas demarcadas, sem nenhum tipo de fiscalização e controle pelos órgãos de governo. A Amazônia tornou-se ambiente de disputa do narcotráfico, como uso de rota de transporte de drogas e armas.
Dentre tantos desafios que encontramos pela frente, ainda temos a questão do saneamento básico que não é realidade em muitos lugares do Brasil. O destino dos resíduos sólidos e a coleta seletiva ainda não chegaram a maioria das cidades brasileiras.
Mas temos também as pautas da “esperança sustentável”. A agroecologia, a diversificação das matrizes de energia, a defesa da soberania alimentar, a educação ambiental e tantas outras ações precisam aparecer nos programas de governo pois nos ajudam a compreender o rumo dos futuros projetos governamentais.
Sustentabilidade não pode ser apenas um discurso, ou um momento de debate. É importante que ela esteja como programa de governo. Que aponte escolhas e projetos que nos ajudem a superar os desafios que temos e apontem soluções efetivas e criativas para a garantia do futuro da nação.
Para nós, eleitores, cabe a consciência e a responsabilidade de que estamos escolhendo nosso futuro e das futuras gerações.

Professor Renato Munhoz
Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.
Foto: Montagem/Renato Munhoz

