Por Cláudio Chiusoli
Pense no banco onde você realiza suas transações. É difícil imaginar o que pode acontecer com a sua instituição financeira se ocorresse algo semelhante ao que sucedeu com o Banco Master. E isso fez com que o mercado financeiro ficasse em estado de alerta.
O que o Banco Master fez? Adotou uma abordagem agressiva para captar recursos, oferecendo rendimentos significativamente superiores aos do mercado (CDBs com taxas de 130% a 150% do CDI) e usava a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como seu principal atrativo para conquistar investidores institucionais e pessoas físicas por meio de plataformas de investimento.
Na prática, a operação do banco se assemelhava a uma “pirâmide financeira”: atraía novos depósitos com juros elevados para tentar saldar as perdas das operações anteriores que não geravam retornos adequados.
Aí entra o FGC que atua como uma espécie de “proteção” para investidores em renda fixa no Brasil. É uma entidade privada, sem fins lucrativos, sustentada pelas próprias instituições financeiras (bancos e corretoras), que contribuem mensalmente com uma fração de seus depósitos.
Os bancos e o FGC
Segue alguns aspectos essenciais para compreender como o FGC protege seu capital:
O FGC oferece proteção apenas para produtos específicos de renda fixa: Isso significa que, no caso de uma intervenção ou falência da instituição financeira onde você aplicou, o fundo restituirá o montante investido, incluindo os juros acumulados até o momento da falência.
Produtos abrangidos: Conta Corrente e Poupança, CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI e LCA (Letras de Crédito Imobiliário e Agronegócio), LC (Letras de Câmbio) e LI (Letras Imobiliárias).
O que NÃO é coberto: Ações e Fundos de Investimento não têm essa proteção, enquanto o investimento no Tesouro Direto é garantido pelo próprio Governo Federal, que é considerado uma opção de baixo risco.
Há limites de garantia estabelecidos em até R$ 250 mil por CPF (ou CNPJ) e por cada instituição financeira, sendo o limite máximo de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Exemplo: Se você tiver quatro contas em diferentes bancos com R$ 250 mil em cada, e todos falirem, você receberá o total. No entanto, se um quinto banco falir no mesmo intervalo, esse valor adicional não estará coberto.
O principal objetivo do FGC é manter a estabilidade do sistema financeiro. Ele previne o “efeito dominó”, como ocorreu na liquidação do Banco Master. Ao saber que o seu dinheiro está seguro, os poupadores não entram em pânico e não se apressam a retirar seus fundos dos bancos durante crises.
Lição a ser aprendida: fique alerta se alguém promete retornos muito superiores à média do mercado.
Fiz um vídeo bem detalhado. Assista:
Foto principal: Imagem gerada por IA/Freepik
Cláudio Chiusoli

Professor de Administração na UNICENTRO – Universidade Estadual do Centro Oeste /PR. Economista formado pela UEL. Pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR. Mande sua sugestão ou dúvidas para prof.claudio.unicentro@gmail.com. Acompanhe meu canal do Youtube e minhas redes sociais Linkedin, Facebook e Instagram.
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