Décadas ou séculos atrás, uma pessoa que apresentasse qualquer tipo de distúrbio psicossocial seria considerada um perigo à sociedade e, para resolver o problema, internada num sanatório onde lá ficaria para o resto da vida. Hoje, a compreensão que temos de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras é completamente diversa e diferente. E, daí, a necessidade cada vez mais importante do trabalho de um terapeuta ocupacional, especialidade em falta por aí.
O trabalho da terapia ocupacional é estudar e desenvolver atividades, sejam profissionais ou de lazer, para auxiliar o tratamento de distúrbios físicos ou mentais, além de desajustes emocionais e sociais. Sempre com o intuito de prevenir, tratar ou reabilitar pessoas que tenham alguma alteração, das que já citamos, sendo genéticas, traumáticas ou por doenças adquiridas. Em todos os casos, é preciso ter o maior cuidado e responsabilidade no desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos e personalizados.
Os ganhos são incalculáveis. Prevenir ou reabilitar a autonomia e a independência de uma pessoa que, por alguma razão, teve esses bloqueios é gratificante. Percebe-se isso nas atividades de vida diária, da sigla AVD, tais quais tomar banho, alimentar-se, higienizar-se, entre outras, todas importantes dentro do processo de reabilitação.
Em resumo, a função da terapia ocupacional é devolver a qualidade de vida a quem não teria mais perspectiva. Desde aquela criança que apresenta sinais leves, moderados ou graves de autismo, chamado de Transtorno do Espectro Autista (TEA), até uma pessoa idosa que necessite continuar desenvolvendo suas atividades corriqueiras.
Por isso o campo de atuação é tão vasto: hospitais, ambulatórios, centros de reabilitação, instituições geriátricas (asilos ou casas de repouso), centros de convivência, instituições penais, organizações não-governamentais, escolas, entre outros. No caso de escolas, o trabalho é fundamental para acompanhar o desenvolvimento de crianças com problemas psicomotores ou de aprendizagem promovendo a inclusão de pessoas com deficiência sem que, em todos os casos, os pequenos sofram preconceito ou bullying.
O mesmo vale no trabalho de reintegração social de idosos, de viciados em drogas, de menores infratores, de adultos presos, além da reabilitação de portadores de distúrbios psíquicos, de pessoas que tenham sofrido acidentes ou tenham tido doenças que as prejudicaram no trabalho.
Foto: Acervo pessoal
Thaís Garcia

Formada em terapia ocupacional pela Universidade Tuití do Paraná, especialista em terapia ocupacional com visão dinâmica aplicada à neurologia e com cursos em aperfeiçoamento. Coordenou o Instituto Comunicar e Crescer.

