Por que as pessoas se desesperam tanto quando há uma epidemia de doença?

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É comum que as pessoas se preocupem e se desesperem, de certa forma, quando começam a assistir notícias de que um novo vírus está se espalhando pelo mundo, infectando e matando indivíduos. Ser bombardeado por essas informações estimula o imaginário coletivo e faz mudar o comportamento rotineiro. Às vezes com mais, outras com menos intensidade. É o que estamos vendo com a epidemia, declarada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), do coronavírus, originária da China e que está atingindo outros países, inclusive com um caso confirmado no Brasil.

Não foi diferente com outras que já surgiram no passado e, provavelmente, será semelhante com alguma que surgirá no futuro. Lembram-se da Gripe H1N1, em 2009? Imagine como deve ter sido quando surgiu no mundo a Peste Negra, no fim da Idade Média! O corre-corre geral fez, há pouco mais de dez anos, sumir dos supermercados e farmácias objetos de proteção como máscaras, luvas e álcool em gel. Agora, recentemente em São Paulo, antes mesmo de o Brasil confirmar o primeiro caso de coronavírus, alguns desses mesmos objetos também tinham sumido das prateleiras.

Por que as pessoas reagem de maneira desesperada a surtos de doenças como essas? E, ao contrário, se acostumam com naturalidade a epidemias muito mais próximas, perigosas e mortais que essas que vêm e vão? Tipo a dengue! A cada ano, no Brasil, vive-se o surto da doença em um lugar diferente do país. Mesmo assim, parece que a população já está habituada a ter algum amigo ou familiar contraindo a dengue. O que é extremamente perigoso, porque a letalidade é grande.

Os cuidados com um tipo de epidemia são desproporcionais em relação à outra. Em ambos os casos, medidas simples e básicas podem evitar a proliferação das doenças. Por um lado, evitar contato próximo com infectados, lavar frequentemente as mãos e cobrir mãos, nariz e boca na hora de espirrar ou tossir. Por outro, limpar os quintais de casa, não deixar expostos objetos que acumulam água e recolher todo o lixo. Não é muito difícil fazer uma coisa nem outra. Entretanto, o desespero ocorre quando não fazemos a lição de casa. Assim como o arrependimento, que amarga as pessoas quando já é tarde demais.

Por isso, ainda é tempo de fazer o que tem de ser feito. Cuidar da saúde (física e mental) nunca é um gasto de tempo ou de recursos. É sempre um investimento!

Foto: Pixabay

Júlio Dutra

É médico psiquiatra com clinica em Faxinal e Apucarana, especialista em saúde pública; em auditoria, regulação, sistemas e serviços em saúde; em medicina do tráfego; em psiquiatria; e pós-graduado em medicina do trabalho. É presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria (APPSIQ), para o triênio 2020-2022.


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