Uma das decisões tomadas pelo Coesp foi a exigência o uso de máscaras e retorno gradual das atividades econômicas de forma monitorada com possível
Telma Elorza
O LONDRINENSE
O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, anunciou, na manhã deste sábado (11), que será obrigatório o uso de máscaras em Londrina. De acordo com ele, a população terá que fazer o uso de máscaras quando forem entrar em locais fechados e transporte coletivo. Além disso, anunciou também a prorrogação da suspensão de aulas da rede pública até o início de maio, a higienização dos terminais de transporte coletivo e UPAs e a reabertura gradual das atividades econômicas: na quarta-feira (15) indústrias e construção civil; e na segunda (20), comércio e prestação de serviços, lembrando que todos poderão ser fechados novamente se for necessário. Na coletiva, o prefeito estava acompanhado do médico pneumologista e professor da UEL, Alcindo Cerci Neto, membro do Coesp (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública), e do secretário Municipal de Saúde, Felippe Machado.
Segundo Belinati, todas as decisões são baseadas na ciência e medicina, com o voto final dos membros do Coesp, que são representantes da Secretaria da Saúde, da 17a. Regional de Saúde, Conselhos Regional e Federal de Medicina, associações médicas, Unimed, Cismepar e todos os hospitais de Londrina. “São membros com direito a voto, médicos especialistas em saúde pública, infectologistas, pneumologistas, virologistas e outros. Eu não tenho direito a voto”, afirmou.
Na última reunião do grupo, realizada na quinta-feira (9), segundo o prefeito, estiveram presentes também MPPR, MPF e Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). “O presidente da Acil, Fernando Moraes, pode expor as dificuldades do setor econômico, ouvimos os MPs, mas quem decidiu foram os especialistas da saúde. Fui até contra algumas coisas mas acatei as decisões”, afirmou.
De acordo com o pneumologista, o que guia o grupo é a ciência, “não nos deixamos levar por política e a politização desse momento”, disse. Segundo ele, todos os dados científicos internacionais e e nacionais são analisados e feito a correlação com os dados possíveis da cidade e do Estado. “Além disso, levamos em conta o número de casos, número de leitos disponíveis, número de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para médicos e equipes de enfermagem e os testes da doença. Levando tudo isso em conta, chegamos a decisão que o pode ser feito a reabertura gradual”, explicou
De acordo com o médico, a cidade conseguiu achatar a curva de transmissão do vírus “porque as medidas foram tomadas de forma precoce, adequada”. “Isso conteve o número de casos, conseguimos consolidar a atual estrutura hospitalar e aumentar essa capacidade com novos leitos”, afirmou. Cerci também apontou que a cidade está enfrentando, no momento, o pico da transmissão local. “Mas controlado porque o isolamento social foi efetivo. Vai subir de novo? Não podemos prever, tudo depende do comportamento da população. Se colaborar evitando aglomerações, ficando em casa. O que temos que fazer é monitorar dia a dia. Não somos insensíveis às demandas sociais mas a prioridade é saúde”, afirmou. Segundo ele, nos locais onde as medidas não foram tomadas a tempo, o bloqueio total é única solução.
O pneumologista disse que o isolamento intermitente é uma das medidas que estão sendo recomendadas para manter a curva achatada. “Gradualmente liberamos algumas atividades, primeiro as que menos agregam pessoas que serão mobilizadas e depois as demais, e monitoramento diário. Se o número de casos subir ou de EPIs cair, fecha-se de novo”, explicou.
De acordo com Felippe Machado, Londrina vive uma situação “confortável”, com 297 leitos de UTI instalados, 2,97 leitos para cada 10 mil – levando-se em consideração apenas a população do Município -, está bem próximo do que a OMS preconiza, 3 leitos para cada 10 mil habitantes. Ele também falou dos 70 novos leitos que estão sendo providenciados na cidade. O prefeito lembrou que a prefeitura também estará contratando 50 novos leitos junto a hospitais particulares se for necessário. “Montamos uma estrutura de guerra, porque é uma guerra”, afirmou.
Segundo o prefeito, não vai ser possível impedir que a maioria da população contraia o vírus mas “queremos garantir que todos que precisarem tenham a estrutura necessária para serem tratados”. “Nós vamos proteger a vida das pessoas, vamos reconstruir a economia aos poucos”, disse.
Segundo Machado, com a volta ao trabalho, as empresas deverão seguir um protocolo rígido de segurança.”As entidades representativas dos segmentos serão chamadas e deverão assinar um documento que constará todas as condicionantes do retorno ao trabalho, se responsabilizando pela implementação delas”, afirmou. Entre elas estão: afastamento de todos funcionários que integrem grupos de risco, uso constante de máscaras, monitoramento da temperatura do funcionário na entrada e saída, com temperatura máxima de 37,8 graus, proibir viagens a cidades com maior risco de contaminação, refeitórios com alimentação individual e utilização de apenas 50% de sua capacidade, distanciamento mínimo de dois metros entre funcionários, limpeza três vezes por dia nos banheiros, álcool em gel ou estação para água e sabão para higienização de mãos, entre outras.
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