Chega de brincar: câncer de pele é uma realidade que pode ser evitada

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Não é brincadeira, nem conversa mole para vender protetor solar. O câncer de pele existe e é considerado o mais incidente no Brasil entre homens e mulheres: de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), 30% de todos os tumores malignos registrados no país correspondem ao câncer de pele.

Entretanto, esse número pode ser ainda maior, levando o Brasil a patamares acima da média mundial: é que no exterior os países que lideram a lista de casos (Nova Zelândia, Austrália e Noruega) têm população de pele clara e obrigatoriedade de notificações da doença, o que aumenta a estatística, diferentemente daqui, onde faltam notificações.

Só para se ter uma ideia, as expectativas em relação à doença entre 2018 e 2019 apontavam 165.580 novos casos. Desses, 85.170 entre os homens e 80.410 entre as mulheres. Mesmo assim, no geral, diminuíram em 10 mil os casos de câncer da pele não melanoma, aquele tipo mais comum e menos mortal.

O outro tipo, o melanoma, é menos frequente, mas mais agressivo e com risco maior de metástase, o que pode levar à morte. Acontece que estamos vivendo num mundo cada vez mais quente e com maior incidência de raios ultravioletas, principalmente em decorrência do aquecimento global e da destruição da camada de ozônio.

Então, os prognósticos não são muito animadores. Afinal, a radiação no mundo tende a aumentar. A boa notícia é que a prevenção, que é sempre o melhor caminho, não é nada complicada nem difícil de se fazer. Ao contrário, é um hábito que deve ser estimulado desde sempre em todo mundo: evitar a exposição ao sol sem prevenção.

Para isso, temos até uma ajuda da moda. A forma mais comum, claro, é o uso de protetores solares. Entretanto, acessórios como chapéus e óculos escuros também ajudam, além de sombrinhas e guarda-sóis.

Os especialistas sempre recomendam evitar o sol entre 10h e 16h, quando a incidência é maior. Isso é verdade. Mas, no calorão que a gente vive, a proteção vale para qualquer hora. Isso porque os efeitos da radiação solar são cumulativas, resultado de anos de exposição sem proteção. Os sinais de que o sol queimou? A pele fica vermelha e começa a descascar: essas lesões na epiderme aumentam o risco do câncer de pele. Vamos evitar?

Paula França 

Médica em Londrina, formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) especialista em saúde da família e pós-graduada em dermatologia pelo Instituto Superior de Medicina (ISMD), de São Paulo.

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