Achaque aos aposentados!

people-1394377_1920

Incrível! Cerca de sete ligações em menos de 3 horas no período da manhã de ontem (18), em dois celulares. Mais de cinco mensagens em cada um, no mesmo período. Um bombardeio quase atordoante…

Isto tudo porque a pessoa acabou de concluir seu processo de aposentadoria e há pouco menos de uma semana recebeu o documento formal do Instituto de Aposentadoria informando-a que ela era, a partir daquela data, mais uma aposentada pelo Sistema Previdenciário brasileiro.

Registre-se, a mulher recebeu a carta do INSS, mas seu dinheiro ainda nem foi depositado e ela ainda nem começou receber os valores mensais de sua aposentadoria.

Esta mulher tem dois celulares em seu nome. Um que fica com ela e outro que fica com outro familiar. No dia em que saiu a notificação formal de sua aposentadoria, antes mesmo dela chegar em casa e pegar as correspondências, já começaram a chegar mensagens em ambos os celulares, “informando-a” que ela era a mais nova aposentada pelo INSS e que o banco (banco x, banco y, financeira z… uma lista infindável) estavam “gentilmente” disponibilizando um valor relativamente alto (tipo R$ 30 mil, 40 mil) para ela pegar em consignação com seu “salário de aposentada”.

Impossível, de nada adiantando dizer que “Não!!! Não tenho interesse! Por favor não ligue mais!” … até a perda de paciência e da educação, chegando ao ponto de mandar as pessoas (pobres coitadas, apenas cumprindo suas meta de telemarketing) e seus bancos aos quintos dos infernos! Nem assim…. Um revezamento contínuo de números diferentes e de diferentes telemarketings ligando incessantemente…

Registro que, como médico que atende idosos, tenho visto com muita frequência idosos empobrecidos, que têm como única fonte de renda sua minguada aposentadoria, que fica mais minguada ainda, comida por descontos consignados de empréstimos intermináveis e nem sempre necessários para eles.

Registro ainda, e finalmente, que, obviamente, não tenho nada contra bancos fazerem empréstimos consignados a idosos aposentados que necessitem destes empréstimos e os façam de plena consciência.

Mas não concordo e não consigo entender este mecanismo que induz pessoas a empréstimos que não necessitam, assumindo dívidas que vão força-las a deixar de fazer coisas que necessitam (como comprar remédios, alimentos, roupas…).

Foto: Pixabay

Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui  secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região.  Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na  saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse