Por Alessandra Diehl e Rogério Bosso (*)
A COVID-19 tem trazido crises graves sob o ponto de vista psicológico. O luto é um dos problemas psicológicos que tiveram impacto negativo na pandemia. Não bastasse as inúmeras perdas, às vezes até mesmo de mais de uma pessoa no mesmo núcleo familiar, os rituais de despedida também sofreram alterações importantes, buscando não disseminar o vírus.
As formas respeitosas e alternativas para realização dos rituais de despedida ainda são escassas ou nulas, o que dificulta e muito o processo de luto. Na despedida, alguns elementos estão presentes, como o compartilhamento de bons momentos vividos juntos, a definição de situações não resolvidas com a pessoa falecida, pedidos de perdão e agradecimentos. Esses elementos ajudam na promoção de bem-estar mental para quem vive o luto.
Atualmente, rituais como velórios e enterros, estão sendo realizados com restrições ou até mesmo proibidos no período da pandemia. A ideia da restrição ou proibição é a não proliferação do vírus, uma vez que esses rituais acabam favorecendo o contato físico, desencadeado pela dor e acolhimento ao próximo através de abraços.
Felizmente, nossas crianças e adolescentes apresentam uma taxa de mortalidade menor, em comparação com os adultos. Mas, isso não significa que estão imunes, pois apresentam vulnerabilidades não somente biológicas, como também emocionais. As crianças e adolescentes ainda não apresentam repertórios sólidos o suficiente para lidar com o luto, tampouco condições emocionais e sempre precisarão de um adulto para auxiliá-los nesse processo e, vale lembrar que, nesse cenário, muitas vezes, esse adulto que auxiliaria a criança e o adolescente, é quem faleceu.
Mas o que fazer para lidar com o luto de uma forma saudável?
✔Quando a pessoa está em fase terminal e você ainda tem a chance de diálogo, é importante que você exponha seus sentimentos para a pessoa e também tenha condição para ouvi-la, pois é fundamental para ambos saber o quão importante são um para o outro e o quanto são amados.
✔Entenda que, no processo de luto por morte, a tristeza e o sofrimento fazem parte, sendo assim, não se cobre por estar sofrendo ou triste. Acolha e valide seus sentimentos e pensamentos. Chore, se necessário for.
✔Tente não ficar por longos períodos sozinho e em silêncio.
✔Externalize, através da fala, o que está sentindo com amigos e familiares. Não se esqueça, outras pessoas da família que também perderam a pessoa podem estar com sentimentos parecidos e vocês podem se ajudar mutuamente.
✔Tente não se apegar e reviver de forma contínua o momento da perda.
✔Sentimento de culpa pode ser comum nessa fase, mas tente não dar vazão a esse sentimento.
No processo de luto, passamos por algumas fases, dessa forma, não estranhe caso se perceba negando o ocorrido; com raiva ou em um processo depressivo. Aceitar o ocorrido é o último estágio do processo, quando ocorre a elaboração do luto.
E não se esqueça, caso esteja muito difícil para você passar por esse momento sozinho e perceba que o sofrimento está muito intenso, tomando grande parte do seu dia e lhe impedindo de realizar as atividades de vida diária, busque por ajuda profissional.
Alessandra Diehl – É psiquiatra em Londrina e atual presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD).
Rogério Bosso – É psicólogo em Campinas e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera de Campinas – Taquaral.
Foto: Pixabay

