Por Isabel Fontes
A cólica menstrual intensa ainda é um dos sintomas mais normalizados entre as mulheres. Muitas cresceram ouvindo que “faz parte”, que “é assim mesmo”, que a dor vem junto com a menstruação. Mas a verdade é simples: cólica forte não é normal, e entender o que está acontecendo no corpo é o primeiro passo para buscar alívio real.
A dismenorreia (cólica menstrual) acontece quando há uma produção exagerada de prostaglandinas, substâncias responsáveis por fazer o útero contrair. Em excesso, elas deixam o útero mais sensível, aumentam o processo inflamatório e podem causar dor intensa, náuseas, mal-estar, dor lombar e até episódios de desmaio. É um quadro que afeta a rotina, prejudica o humor e impacta diretamente a qualidade de vida.
Existem dois tipos de cólicas menstruais
A primária, mais comum em adolescentes e jovens, não está ligada a nenhuma doença específica. É o próprio ciclo que está desequilibrado.
A secundária, por outro lado, aparece quando há uma condição associada, como endometriose, adenomiose ou miomas. Nesse caso, a dor costuma piorar com o tempo e pode durar vários dias.
Na Medicina Chinesa, esse quadro é visto como um bloqueio na circulação do Qi (energia) e do Xue (sangue) na região do útero. Quando essa circulação não flui bem, a dor aparece. Além disso, fatores como estresse, tensão emocional e exposição ao frio interno ou externo agravam ainda mais o quadro.

E onde entra a acupuntura nisso tudo?
A acupuntura atua diretamente nos mecanismos que causam a cólica. Ela melhora a circulação, reduz a inflamação e reorganiza o fluxo energético. Na prática, isso significa:
– Menos dor: as agulhas modulam a produção de prostaglandinas, reduzindo a intensidade das contrações.
– Mais conforto: o útero relaxa, diminuindo a sensação de aperto e peso pélvico.
– Ciclos mais equilibrados: a acupuntura regula o sistema neuro-hormonal, permitindo que o corpo encontre um ritmo mais saudável.
– Menos tensão emocional: como atua também no sistema nervoso, ela reduz estresse, irritabilidade e ansiedade, fatores que amplificam a dor.
– Circulação restaurada: ao liberar bloqueios de Qi e de Sangue, a técnica devolve fluidez ao corpo.
É um tratamento que não mascara sintomas. Ele trabalha na raiz do desequilíbrio — e por isso os resultados costumam ser consistentes.
E os resultados? O que as pacientes percebem?
A melhora normalmente aparece nos primeiros ciclos, com redução significativa da dor logo no início do tratamento. Muitas mulheres relatam que conseguem diminuir, e às vezes até suspender, o uso de analgésicos. A dor lombar associada também tende a reduzir, e sintomas como náuseas, irritabilidade e fadiga se tornam menos frequentes.
Na cólica primária, a resposta costuma ser rápida.
Na secundária, especialmente em casos de endometriose, a acupuntura não substitui o acompanhamento médico, mas é uma aliada poderosa para reduzir crises, aliviar a inflamação e devolver qualidade de vida.
Com o tempo, o que se observa é um ciclo mais estável, menos doloroso e muito mais funcional, permitindo que a mulher retome atividades, exercícios, estudo e trabalho, sem planejar a rotina em torno da dor.
Por que isso importa?
Porque cólica forte não precisa ser um destino. Imagine passar anos da sua vida tomando remédio todos os meses sem resolver de fato o que incomoda. Seu corpo está sempre conversando com você e a dor é um sinal de que algo está acontecendo dentro do seu corpo que precisa ser mudado.
A acupuntura oferece um caminho seguro, natural e eficaz para aliviar a dismenorreia, equilibrar o organismo e transformar o ciclo menstrual em algo mais leve e previsível.
Se você lida com cólicas que a incapacitam, que a fazem parar ou reorganizar sua vida todo mês, existe tratamento e existe alívio.
Isabel Teresa Caramori Fontes

Graduada em fisioterapia pela UEL em 1991, especializada em acupuntura desde 2001. Pós-graduada em fitoterapia chinesa. Terapeuta floral. Especialista em dor e menopausa. Me siga no Instagram
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