Por Telma Elorza
Foi assustador ver o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, formado em direito – e que deveria ententer os ritos legais -, participar da manifestação pró-Bolsonaro no último domingo. E é mais assustador ainda é ver o número de brasileiros e, pior, políticos, que confundem patriotismo com submissão, pondo em risco a soberania do Brasil. Que acreditam, com um fervor quase religiosos, que prestar continência à bandeira dos Estados Unidos é sinal de amor ao Brasil. Nada mais contraditório, nada mais perigoso.
A soberania de um país é seu bem mais precioso. No Brasil, essa soberania vem sendo minada por dentro, por brasileiros que se ajoelham diante de interesses estrangeiros, em especial aos interesses espúrios do presidente estadunidense Donald Trump – que se autointitulou Rei do Mundo – e de seu aprendiz tropical, Jair Bolsonaro. A democracia brasileira vem sendo atacada para proteger o ex-presidente brasileiro que está sendo julgado por atos golpistas – com os rigores e diretrizes da lei – e tem gente que aplaude.
Mas a democracia brasileira, construída com suor e sangue depois de uma ditadura brutal, não pode ser tratada como moeda de troca entre populistas da ultradireita.
O que Trump quer – e sempre quis – é espalhar sua cartilha autoritária mundo afora, disfarçada de discurso conservador. Bolsonaro, seu seguidor mais servil, embarcou com gosto nessa agenda, mas sempre de olho em salvar a própria pele e garantir impunidade para si e seus filhos. O que une Trump, Bolsonaro e seus seguidores é o desprezo pela democracia, o desdém pelas instituições e o culto à figura de líderes messiânicos – aqueles que prometem “salvar a nação”, mas na verdade querem apenas proteger o próprio rabo.

Soberania atacada
Vemos hoje o esforço desesperado da família do ex-presidente em se agarrar a Trump como boia de salvação, atacando nossa soberania. A narrativa de perseguição política ao ex-presidente ganha força entre os que se recusam a aceitar que, no Brasil, ninguém deve estar acima da lei. Os filhos bajulam congressistas estadunidenses, fazem lobby descarado para blindar o pai e jogar a culpa nos outros. É a pátria sendo usada como escudo para a impunidade de uma família.
E, no meio disso tudo, temos Tiago Amaral, que ainda se sente orgulhoso de defender essa turma. O prefeito poderia se preocupar, por exemplo, como as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas por Trump vai afetar a economia local – que tem uma grande parte do PIB londrinense baseado no agronegócio. Poderia se preocupar com a falta de infraestrutura nos bairros, com as creches, com a saúde, com os buracos nas ruas. Mas não, prefere gastar tempo e saliva louvando um golpista e a pátria alheia, como se isso fosse sinônimo de competência ou liderança.
Quem presta continência à bandeira estadunidense, ignorando a história e os interesses do Brasil, está no lugar errado. Talvez devesse sair do país. Quem sabe tentar um cargo na Flórida. Vou lançar a #vaiprafloridatiagoeficalá
A verdade é que não pode existir soberania com interferências na democracia. Ou defendemos o Brasil e sua indepedência ou nos curvamos ao capricho de líderes estrangeiros e traidores internos. A nossa democracia não é perfeita, mas é nossa. E não será entregue de bandeja a ninguém, muito menos a golpistas, nem daqui, nem de fora.
Telma Elorza
Jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD. Integra o Conselho da Mulher Empresária da ACIL.
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