O prefeito midiático e os quase 100 dias de gestão

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Por Telma Elorza

Quando Tiago Amaral concorria à prefeitura de Londrina, as promessas eram de renovação e mudança. Prometeu contenção de gastos, eficiência na administração pública e uma redução significativa na máquina governamental. No entanto, quase 100 dias após assumir o cargo, as ações e decisões do prefeito têm gerado mais polêmicas do que soluções concretas para a segunda maior cidade do Paraná.

Desde o início do mandato, Amaral continua ativo nas redes sociais, muito mais do que nas ruas da cidade. Sua presença constante no Instagram e outras plataformas pode transmitir uma imagem de proximidade com a população, mas a falta de ações práticas tangíveis levanta sérias dúvidas sobre suas prioridades e capacidade de gestão.

Um dos pontos mais controversos de sua administração até o momento é a questão dos salários dos secretários municipais. Enquanto não indica titulares para pastas cruciais da administração, Amaral conseguiu quase dobrar os vencimentos dos secretários nomeados e do vice-prefeito (que, aliás, anda bem sumido, né? Estaria fazendo exatamente o quê? Por suas redes sociais, parece que só vai a festas e grupos de oração).

Porém, mais preocupante ainda é a proposta de criar um grupo de secretários com salários que podem ultrapassar os R$40 mil, com retroatividade ao início do ano, pelo projeto de lei 52/2025. Os beneficiados seriam secretários concursados em outros órgãos federativos, como Estado e União.

Tudo isso em meio a discursos de contenção de gastos e necessidade de contingenciamento financeiro da prefeitura (anunciado em fevereiro, na ordem de R$28 milhões ao mês ou R$336 milhões ao ano). Até a controversa fusão das Secretarias Municipais de Assistência Social, de Políticas para Mulheres e do Idoso em um única estrutura, denominada Secretaria da Família e do Desenvolvimento Social, teve essa justificativa.

Sem ações concretas, prefeito?

A Operação Choque de Ordem, apresentada como uma medida para retirar a população de rua do centro da cidade, é outro exemplo de iniciativa que gerou mais controvérsia do que resultados positivos. Em vez de resolver o problema, a operação simplesmente deslocou os moradores em situação de rua para os bairros, sem oferecer soluções concretas para reintegrá-los à sociedade ou resolver suas necessidades básicas.

A completar quase 100 dias de gestão,  prefeito de Londrina, Tiago Amaral, ainda não mostrou a que veio, a não ser em aumentar salários dos secretários
Prints das redes sociais do prefeito

Além das operações midiáticas, pouco tem sido feito para melhorar efetivamente a qualidade de vida dos londrinenses. Mudanças superficiais, como a alteração de nomes de secretarias, não são suficientes para justificar a falta de ações concretas em áreas prioritárias como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública.

É compreensível que qualquer gestão necessite de um período de adaptação, mas a discrepância entre promessas eleitorais e ações governamentais estão deixando os cidadãos de Londrina cada vez mais desiludidos. Levar 100 dias para definir os co-gestores titulares da cidade é um absurdo. A responsabilidade de um prefeito vai além das postagens nas redes sociais; é necessário um compromisso real com a gestão pública eficiente e responsável.

Tiago Amaral precisa abandonar o papel de influenciador digital e focar em cumprir suas promessas de campanha. Os londrinenses esperam um líder que não apenas fale, mas que aja com seriedade e responsabilidade na administração da cidade. Caso contrário, corre o risco de perder não apenas a confiança da população, mas também a oportunidade de fazer uma verdadeira diferença para o futuro de Londrina.

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