Londrina parou no tempo e o ranking IPS escancarou isso

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Por Telma Elorza

Durante anos, Londrina repetiu para si mesma e para os outros a ladainha que tinha uma qualidade de vida excelente, que era “a melhor cidade do interior do Paraná”. Uma espécie de mantra coletivo, repetido em rodas empresariais, discursos políticos, campanhas publicitárias e mesas de bar.

O problema é que a realidade resolveu dar um tapa na cara da cidade e mostrou dados. E os dados têm o péssimo hábito de destruir narrativas.

O novo IPS Brasil 2026, índice que mede a qualidade de vida em todos os municípios do País coordenado pelo Imazon, mostrou uma Londrina que melhora devagar, burocraticamente, enquanto outras cidades avançam mais ligeiras.

A cidade subiu sua nota geral, é verdade. Foi de 66,29 para 67,73 pontos. Palmas. Confetes. Soltem os fogos (sem ruído, por favor). Só que tem um detalhe inconveniente: mesmo melhorando, Londrina caiu no ranking nacional, indo da 222ª para a 225ª posição. Ou seja, a cidade anda, mas outros municípios correm.

E o que a pesquisa mede? Simples: O IPS usa 57 indicadores SOCIAIS e ambientais, divididos em três grandes áreas:

  • Necessidades Humanas Básicas;
  • Fundamentos do Bem-Estar; e  
  • Oportunidades.

Entre os dados analisados estão segurança, mortalidade, saneamento, educação, acesso à internet, inclusão social, meio ambiente, acesso ao ensino superior e direitos individuais. Você também percebeu quais os quesitos Londrina estão bem fraca? Hã? Heim?

Tá, vou explicar com todas as letras. Londrina performa abaixo do que deveria para seu tamanho, riqueza e importância econômica, em gargalhos que aparecem principalmente em áreas ligadas a oportunidades, inclusão e qualidade urbana:

  • Inclusão social;
  • oportunidades;
  • acesso à educação superior (incrível, numa cidade com tantas universidades e centros universitários);
  • segurança pessoal;
  • desigualdade urbana;
  • qualidade ambiental em algumas regiões periféricas (que, a meu ver, está dentro da desigualdade urbana).
Londrina ficou na 225ª posiçãono Ranking IPS Brasil, que mede qualidade de vida nas cidades. Enquanto isso, Maringá subiu 11 posições em um ano
Foto: José Fernando Ogura/Acervo EPR

O elemento mais doloroso dessa história:  Maringá

Pois é. Além da antiga rivalidade, Maringá se tornou um ponto de dor para todos os londrinenses. A cidade não apenas ultrapassou Londrina em desenvolvimento econômico há muito tempo. Ela simplesmente subiu de categoria.

Enquanto Londrina tem uma evolução tímida em ranking de meio de tabela, Maringá aparece entre as melhores cidades do Brasil em qualidade de vida, conquistando o honroso 15º. lugar no ranking. No anterior, elas estava em 26º. lugar. Saltou 11 posições em um ano!

E olha que nem vou entrar no mérito das cidades do Paraná, bem menores que Londrina e Maringá, que conquistaram posições excelentes no ranking, como Cornélio Procópio (9º. lugar) e que, no Estado, ficou atrás apenas de Curitiba (6º colocação).

Ah, mas tudo isso é detalhe estatístico. Não. É um grande de um abismo administrativo. O contraste é humilhante para a segunda maior cidade do Paraná.

Londrina continua presa numa velha lógica de crescimento urbano desorganizado, em guerras políticas permanente, vaidades pessoais de seus administradores e uma dificuldade histórica de planejamento coletivo. A cidade continua a funcionar no improviso. Tudo vira briga, disputa, projeto interrompido no meio do caminho.

Enquanto isso, Maringá consolidou uma cultura de planejamento urbano, continuidade administrativa e valorização do espaço público que produz resultados. É perfeita? Não! Pelo contrário. Maringá também tem muitos problemas. Mas tem direção.

E o mais curioso disso tudo é que Londrina ainda possui um enorme potencial econômico. Tem universidades fortes, setor de serviços robusto, localização estratégica, mercado consumidor relevante e é um polo de tecnologia importante. Mas tem também tem gestores inaptos, que não planejam, não discutem as reais necessidades da cidade com a população.

É tudo no olhômetro, como uma das últimas notícias, a de que a Prefeitura está sendo investigada pelo Ministério Público. O Consema fez a denúncia de desvio quase R$16 milhões do Fundo Municipal do Meio Ambiente que teriam sido repassados à Secretaria Municipal de Educação sem deliberação do próprio conselho. Dá para ter qualidade de vida assim?

O ranking IPS mede justamente isso: não apenas poderio econômico, mas como a população vive no dia a dia da cidade. E aí que Londrina tropeça repetidamente.

“Ah, mas o importante nesse momento é gerar empregos, depois vemos o resto”.

Pois é aí que você se engana.

Qualidade vida virou infraestrutura econômica invisível. Cidade boa de viver atrai empresas (multinacionais, principalmente), segura talentos, reduz custo oculto (rotatividade de funcionários; atrasos e trânsito ruim; faltas e atestados; segurança pública fraca; infraestrutura ruim). É por isso que rankings como o IPS importam tanto hoje em dia. Eles não medem só o bem-estar, mas a competitividade econômica futura. E as empresas estão ligadas nisso.

Londrina e a complacência coletiva

Maringá conseguiu construir uma imagem de cidade organizada porque houve continuidade de visão, independentemente do partido que está no poder. Londrina virou especialistas em desperdiçar oportunidades históricas.

E a pior parte é a complacência coletiva da população.

Existe uma tendência quase cultural de aceitar mediocridade administrativa desde que ela venha embalada em marketing bonito, discursos otimistas e promessas vazias.

O IPS Brasil apenas colocou em números  a sensação que muita gente já percebeu nas ruas. Londrina não é mais protagonista de nada. Uma hora, a conta chega.

Confira aqui todos os dados do ranking ou baixe o relatório aqui.

Telma Elorza 

É jornalista, escritora e contadora de histórias, trabalhou na Folha de Londrina por quase 20 anos e no Jornal de Londrina por outros 10 anos, locais onde atuou como repórter, redatora e editora nas áreas de Economia, Política e Agronegócio, entre outras. Em 2019, fundou seu próprio jornal, O LONDRINE̅NSE, e se tornou entrevistadora do O LONDRINE̅NSE POD.

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Uma resposta

  1. A EXTREMA DIREITA está destruindo Londrina. Londrina nasceu para ser vanguarda, atrair pela modernidade. Estamos sendo destruídos por ignorantes, que votam em criminosos.

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