Por Wilson Moreira (*)
A guerra pode ser definida como luta armada entre nações com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos.
A busca pela conquista do poder é o fundamento da guerra. Mas o que faz da guerra a necessidade ou ainda a escolha da violência por parte dos governos? Sabemos que a guerra acontece, e sabemos que ela é parte do comportamento das nações, mas, seria ela defensável ou justificável de qualquer forma?
Em toda a trajetória humana o indiscriminado belicismo nos tornou quem somos, ensejando toda a cultura contemporânea, haja vista os valores bilionários que ainda hoje as grandes potências dispensam ao setor de defesa. Assim como não é possível viver com segurança completa, também não é possível imaginar uma sociedade humana onde a arbitrariedade da guerra seja inexistente, razão pela qual as nações, ricas ou pobres, investem em seus exércitos.
Se os homens e as nações procuram estabelecer relações formais uns com os outros, como pode ser que ainda exista a insegurança que permeia nossas relações e nos leva a guerrear? Como bem questionara Tolstoi: “É impossível então, os homens viverem em paz, neste mundo tão cheio de beleza, sob este céu incomensuravelmente estrelado? Como podem, num lugar como este alimentar sentimentos de ódio e de vingança e o desejo de destruir seus semelhantes?”
É uma pergunta difícil de responder, mas muitas tem sido as tentativas. A verdade é que a guerra nos acompanha desde o começo das civilizações humanas, nos moldou e nos definiu como Estados e Nações; e ainda hoje segue sendo uma ameaça constante no grande tabuleiro onde se joga o destino do mundo.
Em suma, uma atividade puramente política, e antes de tudo, cínica, pois seus resultados nunca tem como objetivo final o bem dos povos, mas a dominação de uns sobre os outros. Toda guerra é um crime. Pois quem declara uma guerra autoriza atos criminosos que repugnam à sã razão.
Em “Origens do Totalitarismo”, a filósofa Hannah Arendt discute com muita propriedade a violência e o estado de guerra que advém como consequência dos regimes totalitários, sejam de direita ou de esquerda. Para ela, o imperialismo europeu foi a semente que deu origem a vícios como o racismo e toda forma de parasitismo na política, e que, em última instância, permitiu o surgimento das fábricas da morte, os campos de extermínio do nazismo. Por isso a luta pela democracia é tão importante. Os poderosos autoritários detestam a democracia e a via pacífica para resolver os problemas. O diálogo racional raramente está sobre a mesa dos autoritários. A sede pelo poder os cega diante da realidade e os faz aventurar a impor seus desejos megalomaníacos e estúpidos.
Por mais justificada que seja a violência, ela permanece sendo violência. Por mais defensável que seja o despejar de bombas, ou o soar do canhão, eles continuam sendo elementos de morte, e a morte é o único resultado dos conflitos. Justas ou não, as ambições de ambos os lados do campo de batalha se perdem na multidão de corpos desfigurados nas trincheiras. A guerra não pode ser opção aos que defendem a democracia.
(*) Policial penal, cientista social e poeta em Londrina
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