Exercícios e amizades: grupo celebra 20 anos de encontros na Praça Nishinomiya

grupo Tai Chi e ginástica na Praça

A jornada que começou há duas décadas reunindo pessoas em busca de bem estar físico e mental, comemora o aniversário nesta sexta-feira (27). Neste primeiro ano de participação, exemplos de dedicação e energia que me inspiram

Por Suzi Bońfím

A turma do Tai Chi Chuan e Ginástica na Praça, que se reúne de segunda à sexta-feira, das 7h às 8h, na Praça Nishinomiya, na avenida Santos Dumont, em Londrina, está em festa. Na sexta-feira (27), o grupo comemora duas décadas de atividades físicas com um café da manhã  com os participantes atuais e muitos que ao longo destes 20 anos passaram por ali para se exercitar desde quando a prática começou em 2006. 

Em 15 de outubro de 2014, dia do Professor, Ana Oliveira aparece no colo da taiwanesa Alice, a precursora do grupo com a prática do Tai Chi Chuan

No início, uma taiwanesa conhecida como Alice (nome adotado pela mulher no Brasil, não se sabe como é o nome chinês dela), praticava Tai Chi Chuan, uma arte marcial milenar chinesa, na praça. Alice não falava português quando a Ana Maria Oliveira, 75 anos, passou a auxiliar a taiwanesa na orientação dos exercícios para o grupo.

ANa Oliveira: trabalho voluntário

Desde então, Ana que é corredora, jornalista de formação, casada, mãe de quatro filhos e oito netos,  só não vai à praça nos dias de chuva, quando viaja com a família ou quando o frio é insuportável pela manhã. O marido, Roberto, 80 anos, sempre a acompanha quando não está trabalhando na fazenda. Detalhe: o trabalho é voluntário, Ana não ganha nada pelo que faz na praça.

Acordar toda manhã com disposição para fazer exercícios não é uma tarefa fácil. Por mais que a gente saiba que é bom pra saúde, que é sinônimo de qualidade de vida e menos estresse; por mais conscientes sobre os benefícios que a prática de atividades físicas nos proporciona, é preciso muita disciplina e foco para não deixar para depois.

Por isso, não tem como não reverenciar a força de vontade e disciplina não só da Ana Oliveira como instrutora do grupo, mas também das pessoas que compartilham esta rotina nestes 20 anos.

Meu primeiro ano de ginástica na praça

Comecei a fazer parte dessa turma há um ano, quando fiz um freelancer para a Folha de Londrina, a pedido da jornalista Célia Musilli, no aniversário de 19 anos do grupo, em 2025. Para fazer a matéria também participei da aula naquele dia e tenho ido com bastante frequência, duas ou três vezes por semana, de carro ou caminhando de casa até a praça em frente ao aeroporto. Minha principal motivação é ter uma opção de atividade aeróbica complementando os exercícios da academia e ioga que já faço há bastante tempo. 

É uma grata surpresa ver o empenho de mulheres e homens em busca do bem estar físico e mental que a atividade representa na vida de cada um. Não estamos falando de gente com o vigor e a energia que se vê nas academias da vida; aquela cena clássica de pessoas jovens erguendo ferro (quanto mais peso melhor) e/ou tirando fotos do desempenho para postar nas redes sociais, num ambiente que, na maioria das academias tem as paredes pretas e espelhos pra todo lado.  

Alí, ao ar livre, estão pessoas que têm mais de 40, 50 anos, muitas já passaram dos 80 anos. Boa parte do grupo é de mulheres, as mais assíduas e persistentes. Exemplos que me inspiram. O número de pessoas que participa com frequência varia bastante ao longo da semana.

Das mais de 90 que estão no grupo do whatsapp, pelo menos 40 não deixam de ir à praça Nishinomiya movimentar o corpo, mas é difícil encontrar todas no mesmo dia.

As pessoas que fazem caminhada em volta da praça, olham curiosas para o grupo, mas poucas se aproximam porque talvez não saibam que pode participar quem quiser. É só chegar. 

Entre os veteranos está Antônio Teixeira, 70 anos.Ele conta que começou a participar por causa de uma tendinite e, fazendo os exercícios que a Alice ensinava, resolveu o problema.  Não faltou na atividade por uns dez anos, se afastou por um tempo, a dor voltou e ele retornou para a praça.

Chega sempre quando a aula já está em andamento e diz bom dia, bem alto, pra todo mundo ouvir. É um dos que conhece a sequência dos exercícios com precisão.  

Continuam firmes na atividade também, Cecília Amano, 87 anos – que já tem 17 anos no grupo – e  a  Leni Donato Nascimento, 85 anos, que há uma década está alí garantindo mais qualidade de vida. “Estar aqui significa tudo pra mim. A ginástica  e a amizade me fazem muito bem, vivo muito melhor”, diz Leni que cuida do marido deficiênte visual e diabético. 

Cecília, que também é responsável pelos cuidados com o marido de mais de 90 anos e da casa, ressalta que Ana é um grande estímulo para ela. “Graças a Ana, eu tenho mais saúde. Ela está aqui e eu venho sempre”, comemora. Outra veterana, Elisabete Caldeira Pasareli, 65 anos, destaca que quando começou, em 2016, vivia com a coluna “travada”, hoje a dor sumiu. “Com os alongamentos melhorei muito e a minha concentração está muito boa”.    

Tai chi, aeróbicos e alongamento

O cronograma de exercícios semanais é bem diversificado. Há posturas de Tai Chi Chuan, aeróbicas, para o fortalecimento, coordenação e alongamento. Ao longo dos anos, a atividade foi sendo adaptada e as posturas da arte marcial chinesa foram dando mais espaço para a prática de exercícios que os brasileiros estão mais familiarizados. 

Durante uma hora, Ana Oliveira, orienta a execução dos movimentos ao som de um áudio em chinês e de músicas em inglês. Essa mistura de movimentos faz com que os alunos tenham mais interesse na prática. 

Nesta mescla de sons e exercícios, Ana Oliveira esbanja saúde e vitalidade. O corpo parece não ter um milímetro de massa gorda. Observadora e atenta a todos da turma de muitas mulheres e  alguns homens, a instrutora, ressalta: contrai a barriguinha… De quando em quando, alerta uma ou outra sobre a execução correta do exercício: cuidado pra não se machucar…

A satisfação dela quando está na posição de instrutora, mesmo ficando sob o sol forte e o calorão logo cedo, é visível. “Me sinto muito bem por estar aqui nesses 20 anos. Gosto demais porque faz muito bem para as pessoas e, principalmente, pra mim. Acordo cedo com o maior prazer e venho pra cá muito feliz”, garante a Ana.

A ginástica na praça não para         

Nas suas ausências da Ana Oliveira, as meninas dão um jeito e as aulas acontecem de forma colaborativa e criativa. O apoio das alunas, Regina Célia Oliveira, Cecília Amano, Izabel Freire e Maura Shibayama orientando, e a colaboração de toda a turma, evita a interrupção da atividade por muito tempo.

Elas acompanham as aulas gravadas e mostram a sequência dos exercícios. Ana, de onde estiver, como na viagem ao exterior e ao litoral do país, recentemente, monitora tudo por meio das fotos e vídeos postados no quhatsapp e no instagram do grupo.  

As palavras de Izabel Freire resumem com sabedoria a relação construída pelo grupo nestas duas décadas de encontros na Praça Nishinomiya:

“Quando a Ana está viajando, vivendo o tempo dela, nós seguimos aqui. Firmes. Unidos. Presentes. Um dia é a Regina, com sua delicadeza, no outro a Maura assume com generosidade, e sempre tem, outro coração disponível para estar à frente. Isso não é apenas organização. É pertencimento. É compromisso. É amor pelo que fazemos juntos. A Ana nos ensinou muito mais do que movimentos de Tai Chi. Ela nos ensinou constância, disciplina, respeito e cuidado uns com os outros. O grupo segue porque existe vínculo. Existe propósito. Que coisa mais linda é ver esse reflexo vivo entre nós”.

O casal Roberto e Ana

Esse trabalho voluntário é possível, principalmente, porque Ana Oliveira tem o apoio da família e porque as pessoas estão em busca de qualidade de vida e de conexão.

Todos precisamos de cuidado físico e mental e na troca diária desta atenção no grupo da praça, cada um vai nutrindo suas necessidades na medida que lhe convém.

Uns mais presentes e falantes, outros menos frequentes e mais calados, mas com a certeza de que alí eles podem chegar, se movimentar dentro do seus limites e recarregar as energias. Simples assim.

Nas redes sociais estão os registros das atividades do grupo de Tai Chi e Ginástica da Praça. Diante da disposição e animação desta turma, com certeza, muitos aniversários ainda serão comemorados. Quero estar sempre presente e continuar me inspirando no exemplo de disciplina, autoestima e energia.

Fotos: Divulgação

Compartilhe:

Respostas de 3

  1. Suzi, que texto lindo! Amei! Você é uma ótima jornalista! Desde que veio fazer a reportagem dos 19 anos p/a Folha de Londrina, fiquei sua fã! Obrigada por participar do nosso grupo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Anuncie no O Londrinēnse

Mais lidos da semana

Anuncie no O Londrinēnse