A data da Consciência Negra é um marco simbólico para os negros, pois coincide com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra em nosso país
Por Viviane Alexandrino
“Nascer Negro é consequência, ser negro é consciência”. Salve, Zumbi dos Palmares. Uma das frases mais lúcidas do líder negro sintetiza, de maneira efetiva, o que é ser negro no Brasil: ter a consciência de que vivemos em um país sem nenhuma consciência de sua própria história, e que isso culmina em desigualdade social, racismo e uma enorme dívida histórica – além das injustiças – com o povo preto.
A data de hoje é um convite à reflexão: dos negros, pois é preciso saber suas origens e como fazer para avançar os próximos passos, além de um clamor para o restante da população: reconhecer a importância do negro para a constituição dessa nação, pois o longo período de escravidão ao qual o Brasil foi submetido – um total de 338 anos – deixou cicatrizes evidentes em nosso cotidiano.
Hoje, é um marco simbólico para o povo negro: Lembrar que já éramos resistência contra um sistema opressor que nos inferiorizou longevamente. Além disso, o dia 20 de novembro é uma data para analisar os múltiplos fatores que envolvem nossa sobrevivência em um país que renega suas origens coloniais e que julga não existir dívida histórica com o povo negro.
Falar do negro é passar pela pauta política, humanitária, religiosa, identitária. Política, pois urge o momento de mais políticas públicas de inserção do negro em todas as camadas sociais. Afinal, “Brasil, um país de todos”, não é mesmo? Humanitária, uma vez que precisam parar de nos matar pelo simples fato de sermos negros.
Religiosa, pois as religiões de matrizes africanas pregam a pluralidade e merecem respeito para aqueles que a desejam professar.
Identitária, porque é preciso que mais negros sejam evidenciados para que a população negra se reconheça, se sinta partícipe e integrante de uma sociedade que, efetivamente, busca a equidade social.
O povo negro ergueu o Brasil com a força de seus braços nas minas de ouro, levantou prédios históricos – hoje visitados – com seu trabalho exaustivo, trouxe palavras que usamos em nosso vocabulário, nos deixou a culinária, nos deixou o folclore, as danças e as artes. Não é possível que a nós não esteja reservado o respeito e o reconhecimento de que a luta é válida.
O 20 de novembro é um pacto entre o povo negro, literariamente dito por Conceição Evaristo: “Combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. Todos os dias, fugimos da morte física, mental, intelectual, moral. Tentamos evitar o apagamento de nossa escrevivência e de nossas reivindicações. Abominamos o racismo, os xingamentos, os cuspes, as declarações indignas e o escárnio de uma sociedade sem consciência.
A força que precisamos para permanecermos em pé vem de nossa ancestralidade, porque somos descendentes de reis, rainhas, líderes fortes, revolucionários, pessoas que não se conformavam. Indivíduos que pagaram o preço de buscar direitos iguais com suas próprias vidas, para que a minha vida resista, porque vidas negras importam!
Então, o convite é para a reflexão, uma vez que em três séculos de escravidão tiraram tudo do negro: sua casa, seus filhos, sua história, seu idioma, sua dignidade, mas não conseguiram tirar nossa principal característica: nossa força e resistência! Avante, povo negro! Salve, Zumbi. Axé.
Quem é Viviane Alexandrino

Sou a Viviane, tenho 36 anos e atuo como professora de Língua Portuguesa em colégios da cidade de Londrina. Além da formação em Letras Português, pela UEL, e mestranda em Estudos Literários pela referida instituição, sou formada também em Jornalismo, profissão essa que exerci durante 10 anos antes de me apaixonar pela educação.
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