A Semana de Alta Costura (temporada outono/inverno 2021-2022), que aconteceu essa semana em Paris, em formato híbrido, deu o que falar e o que sonhar! Todo mundo doido pra começar logo essa tal vida pós-vacina pra usar uns vestidões desses, ir a umas festas… Vocês já sabem o quanto eu e Ângela amamos esse momento, é quando a Moda se apresenta em seu formato mais artístico, elaborado, sonhador mesmo! – e ainda é dessas semanas de desfiles que saem a inspiração para algumas das principais tendências (até as mais casuais) que a gente vê depois bombando nas redes e nas ruas.

Bom, depois de um ano e meio de pandemia, essa semana trouxe de volta várias grifes em desfiles presenciais – ainda que para plateias muito menores – e com transmissão ao vivo. Algumas das maisons que desfilaram no formato tradicional foram Dior, Chanel e Armani Privé. Outras 24 marcas (entre elas a Fendi e Gianbatista Valli) optaram por continuar com as apresentações virtuais.
Mostraram muita coisa interessante! Mas notei que, nessa edição, eu gostei de peças específicas de algumas coleções, não me encantei tanto com o conjunto da obra, embora tenha visto várias coleções muito coesas, muito afinadas. Eu costumo ir muito pelo conjunto, dessa vez gostei mais de apanhados de peças.

Já é possível adiantar algumas tendências a partir desses desfiles: muita pele à mostra, decotes generosos e vestidos bem curtos com fendas ou caudas longas, bem chamativas (em muitos vestidos a cauda é o ponto alto da peça); looks bicolores também foram vistos em algumas coleções, metalizados e plumas também deram uma pinta!
Aqui, algumas das coleções que mais curti, que achei que tiveram um plus, mas é possível assistir a todos os desfiles no YouTube, digitando Paris haute couture fall/winter 2021-2022 na busca.
Coloco Stephane Rolland como uma das coleções mais sublimes dessa temporada: destaque para as formas e os volumes pontuais e absolutamente irretocáveis (como a cauda do vestido que lembra o movimento da ESPUMA das ondas do mar, criando um efeito fabuloso e muito refinado), o trabalho esmeradíssimo dos bordados com pedrarias. E a apresentação é belíssima, puro deleite para os olhos, sem exageros! Queria ser atriz de cinema para usar um vestido desses no tapete vermelho. A coleção toda é primorosa.
Elie Saab também arrasou. Com um desfile bastante dramático e com muito frescor glam, criou bem em cima da identidade da marca sem perder a referência mas também sem ficar parada no tempo. Um mix de referências que incorpora todas as tendências que vão estar em alta sem cair no lugar comum. Basicamente, a coleção apresentou todos os elementos que as coleções da maioria das outras grifes apresentaram (volumes, transparências, fendas, toque de plumas), mas de uma forma muito própria e com muitos toques surpreendentes.
Fico me perguntando se o povo que andava apostando tanto em Charles de Vilmorin (veja o que já escrevi sobre ele aqui) também murchou com esse desfile. Foram, tipo, duas peças maravilhosas contra outras tantas meio carnavalescas, um mix de Cruella com Malévola (risos). Parece exagero, mas eu acho mesmo que, na ânsia de mostrar que ele é mais do que o designer que cria com muitas cores e psicodelia, que é muito fã da rainha de copas e de Laranja Mecânica (aposto que ele é), que ele consegue criar com preto, ser mais dark, mais sóbrio, mais mais, ficou muito wannabe. Continuo achando que não vinga. Veja no Instagram.
Outros desfiles e apresentações babadeiros:
Ana Paula Barcellos

Escritora, designer de joias artesanais, marketeira e pesquisadora de tendências. Trabalha com as marcas Pinacola e Ana Diana.
Foto: Dior Fall/Winter 2021-2022/Divulgação

